Título do Livro:  Ultra Carnem    Autor:  Cesar Bravo   Editora/Tradução:  Dark...


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  Título do Livro: Ultra Carnem
  Autor: Cesar Bravo
  Editora/Tradução: DarkSide Books
  Páginas: 384
  Ano de Publicação: 2016
  Onde Comprar: Amazon || Submarino || Saraiva || Livraria Cultura || Compre aqui e ajude o MeL
  Livro cedido em parceria com a editora.
  
Sinopse Ultra Carnem expande em muito a mitologia criada por Cesar Bravo, dando detalhes assustadores sobre a infância e a obra maldita de Wladimir Lester, o estranho menino pintor. Além disso, o autor mostra até onde vai a fome de um homem desesperado pela fama ou por uma vida mais digna por direito. A caminhada segue sem pudores expondo a fragilidade de cada um de nós. Por fim, o leitor fica com a sensação de que nós, humanos, não devemos bancar o esperto. E que não existe a possibilidade de enganarmos o céu e o inferno.

Ultra Carnem foi uma das minhas últimas leituras de 2016. Uma obra que despretensiosamente acaba por conquistá-lo. Primeiro através de um garotinho, a quem você se apega e sente pena, até que chega ao final com um conto que deixa a gente sedento por mais.
Todas as histórias, embora diferentes, são interligadas, de modo que para entender e se situar melhor nos acontecimentos, você deve ter lido o conto anterior. Os protagonistas são Wladimir Lester, Nôa, Marcos Cantão e Lucrécia, além do próprio Lúcifer. Todos residem em Três Rios e pouca coisa têm em comum, senão o fato de terem topado com o profano e o obscuro em algum momento de suas vidas.


Wladimir Lester é quem dá início a tudo – sua existência e suas ações são cruciais para o desenrolar do enredo de cada conto. Ele, um garoto cigano, é levado à porta do casarão onde Dom Giordano acolhia crianças órfãs. A senhora que o acompanha diz que ninguém de seu grupo o quer por perto, e se o padre não o aceitasse, provavelmente seria assassinado. Tudo o que nós, leitores, vemos, é uma criança rejeitada com um passado sombrio e um verdadeiro apreço pelo tubinho de tinta que carrega na mão fechada. O pavor dos ciganos em relação ao pequeno Lester é totalmente justificado, mas isso descobrimos depois. Tudo o que posso dizer é que o preço a ser pago no final do conto é alto demais para todos os envolvidos.
“– Onde posso encontrá-la? Caso aconteça alguma coisa com o menino... Ou pode me dar o endereço dos pais verdadeiros, se não se importar em dizer.
– Você não me encontra. A mim ou ao meu povo. Meus pais também estão longe dessa cidade, no lugar onde o menino os colocou. – Ela já estava virando a maçaneta, apressada em seguir seu caminho.
– Por favor, me diga onde estão!

Iolanda parou de caminhar. Olhou para o teto do casarão e disse, ainda de costas:

– No Inferno, padre. No Inferno.”


A partir daqui, há um imenso salto temporal em relação às histórias posteriores. A primeira parte, Abandonado, passa-se num tempo em que “bestas movidas a gasolina começavam a aparecer e causar os primeiros acidentes, enquanto substituíam as velhas carroças enferrujadas que circulavam pelo centro”. Já as partes seguintes são contemporâneas, pois você vislumbra referências ao que conhecemos o tempo todo, inclusive, por exemplo, ao bater de panelas no Brasil em 2015.
“Na disputa entre o céu e o inferno, nós somos o prato principal.”

O próximo conto, Gênesis, nos apresenta Nôa, um pintor fracassado que deseja apenas viver de sua maior paixão – a pintura. Porém, sua vida segue de mal a pior e a esperança surge apenas quando ele furta um diário de uma loja de antiguidades. Supostamente pertencente a um parente distante de Wladimir Lester, a lenda de Três Rios, Nôa encontra no livro relatos do poder do garoto, incluindo seu tubinho de tinta milagroso. Essa, então, passa a ser a via crucis do pintor: encontrar aquela tinta, pintar quadros incríveis e ficar famoso pelo resto da vida, além de encontrar os quadros originais de Lester, que possuem um valor inestimável. Assim, seguindo as pistas e menções do diário, além de receber ajuda de um parceiro improvável, Nôa acaba encontrando o que tanto buscava – embora com certeza tenha se arrependido no final. O pintor, assim como o próprio Wladimir Lester, é a representação pura da cobiça e da ambição, e não se importa em tirar do caminho todos aqueles que o impedirem de chegar ao seu objetivo final.
Você nunca encontra o que procura. O tempo come tudo, Nôa. Roupas, valores, devora inclusive a esperança de nos entendermos com o passado. O que aconteceu com o tal menino e com as outras pessoas desse livro é algo que não pertence a nós. E você não precisa me dizer o que o trouxe aqui. Chamo isso de ganância, também de ilusão e de irresponsabilidade. Estamos na era das luzes, filho. Não existe mais espaço no mundo para o obscurantismo.



O Pagamento é o terceiro conto e é protagonizado por Marcos Cantão. Toda a história é narrada da perspectiva dele, e acho no mínimo equivocadas as críticas suscitadas em relação a Cesar Bravo, que foi apontado como misógino. Veja bem: Marcos é um homem miserável, que talvez só se torne menos terrível por conta do belo sentimento que nutre em relação ao filho especial. Ele é técnico de informática e o pouco dinheiro que ganha mal é capaz de sustentar a família e os remédios de seu garoto. Marcos está infeliz e insatisfeito, tão amargurado com a vida que seus pensamentos se resumem a maldizer a esposa, chamando-a de gorda e imunda, transar com a filha de um dos clientes, que classifica como gostosona, e passar a perna em quantas pessoas puder... Seus pensamentos são bem condizentes com o tipo de homem quem é, e não acredito que culpar o autor pela conduta coerente do personagem seja justo. Enfim, Marcos é chamado para um serviço na loja O Estranho e o Mágico: Produtos Raros, da dona Sofia, e se depara com a estátua da Ciganinha, que fez sua primeira aparição com Wladimir Lester e lhe era querida acima de tudo. Será que adiantaria fazer um pedido à figura, como dona Sofia o estava instigando a fazer? Marcos decide arriscar e tudo muda, e sua vida de repente é como sempre sonhou. O que ele não sabe – ou finge não saber –, porém, é que nada é de graça.
Temos o quarto conto, O Inferno, cuja protagonista é uma garçonete desgraçada na vida chamada Lucrécia. Sem querer, ela acaba ouvindo a conversa do próprio Lúcifer e seus asseclas dentro do estabelecimento onde trabalha. Eles descobrem-na ouvindo e oferecem duas opções: pode ser morta ou aceitar trabalhar com eles. É provavelmente o melhor conto de todos, pois explora toda a concepção de inferno para Cesar Bravo nesse seu mundo fictício. O último conto, Os Três Reinos, é tão interessante quanto O Inferno, sendo uma espécie de continuação do terceiro. Ele reúne todos os protagonistas anteriores, atribuindo papéis a cada um deles, e você de repente vê que se encaixaram bem no Inferno, como se tivessem nascido para estar ali.
O final do livro como um todo nos apresenta uma Lucrécia bem desenvolvida e que assume as rédeas da própria vida – ou seria desvida? Porque morta ela não está, mas se tornou uma peça importante para o Inferno em sua missão de arrebanhar cada vez mais almas.


A narração de Cesar Bravo é muito boa. Ele descreve o que precisa ser descrito, mas não se perde em detalhes desnecessários. Coloca no livro o que você precisa saber – e até algumas coisas que você não precisaria, mas acabam sendo interessantes. Talvez peque no excesso de diálogos, mas isso não maculou a obra de modo geral. Eu não sei se foi por conta da época em que li o livro (período de provas finais), mas demorei demais para finalizá-lo e num momento confesso que me senti “cansada”. Foi só iniciar a leitura do segundo conto que tudo mudou. Em O Pagamento, temos toda uma pegada gore e o pior lado do ser humano sendo exibido, aquele que pessoas perversas assumem quando há a certeza de que ninguém está olhando. Já em O Inferno e Os Três Reinos, temos a premissa do que poderia ser uma incrível saga de tirar o fôlego. Eu ficaria mais do que contente em ler uma série de livros em que Lucrécia fosse a protagonista e mostrasse todo o seu trabalho no submundo, além de conhecer melhor esse Inferno proposto por Bravo. Ele misturou de tudo um pouco: além das referências cristãs, há também um pouco de Dante e até da mitologia greco-romana. Achei isso demais. Gosto de todos isoladamente, mas não imaginava que combinados poderiam dar origem a algo tão interessante.
Enfim, Ultra Carnem não é um livro que irá deixá-lo sem sono por medo – talvez o deixe sem sono porque você, a partir de Marcos Cantão, não conseguirá largar as páginas. Recomendo para quem gosta desse tipo de literatura, mas não posso confirmar se leitores que não estão acostumados gostarão logo de cara. Eu, por exemplo, não estou acostumada – mas já fui fisgada por conta do sangue, da dor, da morte. São curiosidades inatas aos humanos, certo? Então posso dizer que você deve tentar ler. E correr para me contar o que achou da experiência depois.

Ouça a playlist do livro!



Eu tive uma discussão com um cara uma vez. E ele me disse que eu não poderia vencê-lo em uma disputa justa. Bom… Tudo se resume a isso. Ele sequestra pelo amor e eu pelo favor; a dor, nós dois usamos. E olha que eu vinha ganhando fácil há muito tempo, mas essa porcaria de internet… Mulher, isso acabou comigo. Agora todo mundo conhece tudo, lê tudo e desacredita em tudo. Nem eu ou Ele – apontou para cima – valemos muita coisa se não acreditarem em nós. Talvez precisamos rever todo esse nosso negócio, mas quer saber? Eu ainda pretendo ganhar essa aposta… E quando ganhar, vou provar quem é quem no mundo.




  Título da Série:  The Malazan Book of the Fallen   Título do Livro:  Gardens of The Mo...



  Título da Série: The Malazan Book of the Fallen
  Título do Livro: Gardens of The Moon (livro 1)
  Autor: Steven Erikson
  Editora: Tor Books
  Páginas: 494
  Ano de Publicação: 2009
  Onde Comprar: Amazon || Compre aqui e ajude o MeL
  Recomendo também: Resenha do INtocados e do Dragonmountbooks

Sinopse “The Malazan Empire simmers with discontent, bled dry by interminable warfare, bitter infighting, and bloody confrontations. Even the imperial legions, long inured to the bloodshed, yearn for some respite. Yet Empress Laseen's rule remains absolute, enforced by her dread Claw assassins.
For Sergeant Whiskeyjack and his squad of Bridgeburners, and for Tattersail, surviving cadre mage of the Second Legion, the aftermath of the siege of Pale should have been a time to mourn the many dead. But Darujhistan, last of the Free Cities of Genabackis, yet holds out. It is to this ancient citadel that Laseen turns her predatory gaze.
But it would appear that the Empire is not alone in this great game. Sinister, shadowbound forces are gathering as the gods themselves prepare to play their hand.....”


Com uma lista enorme de títulos de fantasia espalhados pelo mundo, poucos nomes conseguem alcançar o que Steven Erikson e Ian C. Esslemont criaram. Um plano ambicioso, difícil, mas compensador. Juntos os dois arqueólogos criaram um mundo inteiro e enorme com diversas culturas e milhares e milhares de anos de história. Diversas raças e um sistema de magia tão complexo que lendo o primeiro livro ainda não somos capazes de compreender sua natureza por completo (mas que mesmo assim nos fascina com sua genialidade). Certamente a série dos livros de Malazan levaram a denominação de “épico” a um outro patamar.

“Ganoes and the commander returned their attention to the riot in the Mouse. Flames were visible, climbing through the smoke. ‘One day I”ll be a soldier,’ Ganoes said. The man grunted. ‘Only if you fail at all else, son. Taking up the sword is the last act of desperate men, Mark my words and find yourself a more worthy dream.’ [...] ´The world,’ Ganoes said, ‘doesn’t need another wine Merchant.”
*Whiskeyjack e Ganoes Paran (doze anos) olhando para Mouse Quarter da Malaz City. Trecho retirado do prólogo do livro.

Gardens of the Moon (Jardins da Lua), que será publicado no Brasil pela Editora Arqueiro, é o primeiro livro de uma série de dez livros (isso mesmo, DEZ LIVROS!) escritos pelo autor Steven Erikson. O livro se inicia logo após o assassinato do Imperador Kellanved e de Dancer (seu guarda-costas) e a ascensão de Surly (comandante dos Claw, um grupo de assassinos do Império Malazano) ao poder que agora adotou o nome de Laseen. O Império Malazano, junto com seus aliados (os Moranth) busca agora conquistar as duas últimas Cidades Livres de Genabackis, Pale e Darujhistan.
Pale está em cerco há três anos protegida por uma muralha de pedras que se estendem tão profundamente que até mesmo com magia é difícil encontrar sua profundidade. Além disso temos uma fortaleza voadora (Moon’s Spawn) comandada por Anomander Rake, líder dos Tiste Andii, que protege a cidade. E enquanto isso o grupo de sapadores, os Bridgeburners, passaram os três anos minando os muros da cidade.
Tayschrenn (um mago supremo do Império) chega para liderar um ataque contra Moon’s Spawn e temos uma das cenas de luta mais incríveis que eu já li até o momento. O resultado é a morte de muitos. Os Bridgeburners agora foram reduzidos a apenas um pequeno grupo, suspeitando que existe alguém do Império que os quer mortos.
Temos também o Capitão Ganoes Paran (que foi enviado para comandar os Bridgeburners) que chega à Pale logo após o ataque e se vê em algo muito maior do que ele imaginou. Tattersail (uma feiticeira que sobreviveu à luta) forma uma aliança com os sobreviventes do nono esquadrão dos Bridgeburners (liderados por Whiskeyjack) que agora foram enviados para Darujhistan em uma missão suicida. Dois Ascendentes, Ammanas (Shadowthorne) e Cotillion (The Rope) que planejam a morte da Imperadora...

“On his dark grey shoulder-cloak was a silver brooch: a bridge of stone, lit by ruby flames. A Bridgeburner.” 
*Broche dos Bridgeburners. Trecho retirado do prólogo.

Muita informação? Sim, é MUITA informação, se você estava procurando por um livro para relaxar e descontrair, então é melhor procurar um outro. O livro não é de fácil leitura, sendo necessária atenção nos detalhes para compreender o que está acontecendo. Isso acontece porque o autor não se dá ao trabalho de nos explicar nada, deixando uma sensação de que pulamos um pedaço do livro e começamos a ler a partir do meio. E tudo isso fica mais evidente com os personagens que também não tem ideia do que está acontecendo.
Mas acredite, ao fim do livro muita coisa começará a se encaixar, respondendo algumas de nossas dúvidas (mas ao mesmo tempo criando outras hahaha). Trechos que não demos tanta importância antes começam a fazer sentido e ao fim do livro só pude falar “UAU!”.
O sistema de magia (os Warrens), apesar de confuso a uma primeira lida, é muito interessante e bem desenvolvido, porém o autor também não nos dá uma explicação exata de como ela funciona. O que me chamou atenção é que qualquer um pode usar magia, claro que existem aqueles que possuem uma maior afinidade a um determinado Warren, mas em teoria qualquer um pode usar magia. E isso causa uma série de efeitos sobre a sociedade.

Diagrama de como os Warren se relacionam.

A narrativa é feita em terceira pessoa e se dá por pontos de vistas, e devo dizer que são muitos e eles se alternam com bastante frequência sendo que tem vezes que o ponto de vista é trocado e não percebemos. Além disso o autor gosta de inserir pensamentos de seus personagens no meio da narrativa.
Quanto aos personagens, alguns são bem desenvolvidos, com suas características e ações que nos fazem ama-los e/ou odiá-los de modo que nos encontramos torcendo para que os dois lados obtenham sucesso. Outros permanecem um mistério para nós e não temos uma ideia de suas intenções, ficando apenas especulações que criamos a partir dos pontos de vistas de personagens do livro. A morte é bem recorrente no livro também (para aqueles que sofrem com George Martin sugiro se preparar emocionalmente para Steven Erikson).


“Anomander Rakes’s skin was jet-black, [...], but his mane flowed silver. He stood close to seven feet tall. His features were sharp, as it cut from onyx, a slight upward tilt to the large vertical-pupiled eyes.
A two-handed sword was straped to Rake’s broad back, its silver dragonskull pommel and archaic crosshilt jutting from a wooden scabbard fully six and a half feet long. From the weapom bled power, staining the air like black ink in a pool of water.”

É uma leitura difícil e que certamente não agradará a todos de primeira. Mas insisto que deem uma chance e leiam até o fim pois serão recompensados com uma história incrível e genial, sendo apresentados a um mundo abrangente e original com magias, dragões, deuses insanos, ascendentes e tragédias (muitas tragédias).
Felizmente a Editora Arqueiro estará trazendo para o Brasil ainda neste ano, traduzido pela Carol Chiovattto!
Fica aqui a dica de leitura da vez.


 Este post foi escrito por Fabio Otsuka.


Hoje o Me Livrando completa dois anos de existência . Confesso a você que não imaginei chegar ...


Hoje o Me Livrando completa dois anos de existência. Confesso a você que não imaginei chegar até aqui, mas estou orgulhosa de mim mesma e não tenho vontade de parar. Cometi muitos erros e acertos, especialmente em 2016, e decidi que seria uma ótima ocasião para compartilhá-los com você. Se você quer ter um blog, ou se já o tem, recomendo que leia essa postagem e leve em consideração cada uma das lições abaixo.
Antes de começar a ler os apontamentos, quero abrir um espacinho aqui para falar sobre o que é ter um blog literário. Se você quer criar um com o intuito de ganhar livros e ponto final, lamento informar que irá quebrar a cara. Se espera conquistar fama e dinheiro num piscar de olhos, também sinto muito por você. Blogar, especialmente falando de livros num universo dominado por booktubers, é se arriscar a quebrar a cara e entender que você pode se dedicar muito às postagens, mas ainda assim talvez só dez pessoas leiam. É aprender a lidar com os “cults”, que são aqueles leitores existentes em todos os nichos que se acham conhecedores-mor de tudo aquilo que você pretende falar. É ser julgado independentemente da escolha que você fizer, e ter só duas opções: ignorar ou retrucar (sendo que ao fazer esse último, talvez passe a ser mal visto pelas pessoas sérias do meio). Antes de entrar nessa, aprenda a aceitar críticas construtivas e prepare a si mesmo para lidar com indiretas e críticas ofensivas, porque se quiser ser visto e reconhecido, essas duas coisas chatíssimas andarão de mãos dadas. Infelizmente é assim.
Quem disse que blogar é fácil, certamente nunca conseguiu manter um espaço por mais de um ano. Caso contrário, se ajoelharia ao nosso lado pedindo por misericórdia ao universo. Vai por mim.


1. Planejamento é importante se você quiser ter um blog
Aí está um de meus maiores arrependimentos. Eu nunca me preocupei muito em planejar nada para o Me Livrando. O ano que passou foi uma prova disso. Em 2015, com a empolgação de voltar a ter um blog, o conteúdo que produzi era quase incessante, mas isso acabou me prejudicando na faculdade. Em 2016, optei por me dedicar mais ao meu curso – e em contrapartida não dei tanta atenção ao Me Livrando. Ou seja, em ambos os casos faltou planejamento. Você precisa ter um, é fato.
Conheço muita gente que opta por viver a vida e postar quando der vontade. Conheço outros que postam todos os dias, o que não deve ser visto como algo positivo. Vou explicar: postar de vez em quando, como por exemplo três vezes ao mês, fará com que você tenha muito menos alcance e ganhe muito menos leitores novos. Isso é ruim. Postar todos os dias, por outro lado, também não traz qualquer benefício: o post que você colocou no ar hoje será divulgado e cortará o alcance daquele que foi postado ontem. Ou seja, precisa haver equilíbrio. Planeje-se. Pesquise os melhores horários, os melhores dias para o seu público. Invista nos mais votados tanto para colocar postagens no ar quanto divulgá-las. Mas divulgue com sabedoria porque...

2. Divulgar em demasia é muito chato
Eu já fui chata com divulgação. Um dia precisei entrar na conta de minha mãe no Facebook e vi que no feed de notícias dela só dava minhas divulgações em mais de 50 grupos diferentes. Isso devia estar aparecendo/acontecendo com meus amigos também. Imaginei o quão chato deve ser. Aliás, se você for meu amigo no Facebook e se deparou com essa situação, peço desculpas. E se você for meu amigo e faz isso, recomendo que pare – é um modo bem eficaz de as pessoas bloquearem suas notificações no feed de notícias, eu provavelmente já devo ter feito isso.
Calma, há solução. Nós, blogueiros que não alcançamos a fama nacional (ainda :p), dependemos de divulgar em grupos dessa forma. É importante sim, desde que você saiba onde e como divulgar. Meu conselho é que crie um perfil exclusivo para divulgação, e nele não aceite absolutamente ninguém. Não divulgue em grupos voltados a blogueiros e blogs literários – a interação é extremamente baixa porque ali estão todos mais preocupados em olhar para o próprio umbigo.
Procure grupos literários com um número legal de participantes e uma taxa alta de interação. Seja visto não apenas divulgando seu material, mas interagindo com todo mundo também. Isso torna as pessoas mais suscetíveis a dar atenção e clicar em qualquer coisa que você quiser compartilhar com elas naquele meio. Não faça a divulgação "joguei o link e sumi". Promova uma discussão envolvendo o tema ou a obra em questão. No finalzinho, disponibilize o link para a postagem – preferencialmente encurtado no goo.gl ou bit.ly. Pronto. Você está fazendo uma divulgação consciente e nota dez.
Conselho adicional: não compartilhe diretamente da sua página nos grupos. É muito bizarro entrar em páginas de blogs e ver que o post teve cinco curtidas – e setenta e três compartilhamentos. Retira um pouquinho da credibilidade e parece que você não faz nada na vida além de compartilhar por aí.

3. Valorize seus leitores
Não importa se você conta todos os leitores que tem no dedo. Eles são importantes e você deve valorizá-los. Responda seus comentários e faça com que se sintam bem-vindos ao seu espaço. Não os ignore, não os deixe pra lá: você está fazendo isso por amor.
Se procura grande audiência, está no nicho errado. Dificilmente blogs literários fazem tanto sucesso – conheço alguns com conteúdo maravilhoso que estão por aí há anos e não decolaram. As pessoas perderam o interesse em ler resenhas, e se você está mesmo atrás de muitos fãs, a maior possibilidade de você consegui-los falando de livros é criar um canal no YouTube. Agora um blog escrito... Você até consegue uma boa audiência, como foi o caso do Me Livrando, mas se está esperando muitos comentários e inúmeras curtidas, é bom repensar. Por isso deve valorizar todos aqueles que receber – você mesmo não deve ser o tipo que comenta em tudo aquilo que lê e gosta, e se a pessoa tirou um pouco do seu tempo para deixar um comentário na sua postagem, ela realmente gostou do que leu.

4. Aceite que você não irá agradar todo mundo
Você nem imagina que um blog como o Me Livrando, que tem apenas dois anos de existência, tenha haters, mas é incrível como eles existem. As pessoas se incomodam com o sucesso, e eu tenho plena consciência de que meu blog atingiu bons números em pouco tempo. Fico orgulhosa? Claro que sim! Mas sei que isso não o torna melhor do que vários blogs espalhados por aí e menos vistos, mas com um conteúdo maravilhoso. Eu diria que foi tudo fruto do esforço e dedicação que tive com o MeL especialmente em 2015, além do apoio de amigos e do meu namorado. Conquistas atrás de conquistas que me ajudaram a entrar em 2017 com mais de 400 mil visualizações! Coisa linda se ver, viu? Tenho orgulho mesmo!
Contudo, isso acaba atraindo aquela galerinha amargurada que sempre está à espreita atrás de algo para criticar. Se você tem bons números, é só porque tem rostinho bonito. Se tem muitos comentários, é porque sai pedindo que todo mundo comente. Se você elogia livros ou a editora em si, é só porque tem parceria com ela. Se você faz resenhas muito negativas ou esmiuçadas, é só porque quer bancar o crítico especialista. Os julgamentos são infinitos quando você começa a incomodar as pessoas por qualquer motivo que seja. Minha dica é que ignore todos. Demorei a aprender a ignorar, mas depois que você faz isso, a vida fica uma maravilha e o estresse diminui. Meu conselho: nesses casos, use mais o botão “block” e seja feliz, porque aí está um pessoal que nunca irá deixar de criticá-lo, não importa o que você faça. Aceite isso e continue sendo quem você é.



5. Parcerias com editoras são legais, mas não são tudo
Aqui não vou me estender muito porque já fiz uma postagem específica sobre o assunto. É meio irônico que eu, que desde o primeiro ano fechei parceria com editoras, dê esse tipo de conselho – mas sério, parcerias não são tudo. Às vezes elas podem pressioná-lo demais e fazer as pessoas terem a falsa impressão de que sua opinião não tem credibilidade. Isso tudo porque realmente existe quem faça resenhas positivas mesmo odiando o livro só para não perder parceria... O que não é o meu caso e duvido muito que seja ou seria o seu também, leitor. Esse pré-julgamento, entretanto, sempre existirá quando você fechar suas parcerias.
Mas quem não ama receber livros, não é? Poder escolher os lançamentos da editora favorita e tê-los em sua casa antes de todo mundo? Não é um trabalho de graça, pois em troca você precisa resenhar e isso dá mais trabalho do que as pessoas imaginam, mas ainda assim é fantástico. Eu amo ter parcerias nesse quesito. Com aquelas que pressionam muito, preferi cancelar em 2017, mas em geral poder fechar com alguma editora ou mesmo autor é uma experiência bacana.
Atente-se ao fato de que você não passar nas seleções não significa nada. Não quer dizer que seu blog é menos interessante, feio ou irrelevante. Na verdade, muitas vezes ele pode nem ter sido analisado pela editora. Não vou dizer que todas fazem isso, mas é inegável que acontece entre algumas. Ou seja: continue com seu trabalho e torne seu foco a produção de conteúdo, não parcerias, e tudo valerá a pena.

6. Faça por amor
Se você fizer por amor, como eu já disse ali em cima, fará tudo valer a pena a partir do momento em que as pessoas notarem o seu amor pelo que faz. Comigo é assim. Se eu fico feliz quando uma editora fecha parceria com o Me Livrando, nem se compara a receber um elogio sincero de alguém que eu não conheço falando o quanto admira meu trabalho e vê que deposito nele todo o meu amor e carinho. Isso é gratificante e faz as horas de sono perdido para ficar em frente ao computador escrevendo algo valerem a pena. As críticas e ataques se tornam irrelevantes e me fazem pensar: “por que dar trela para esses comentários negativos se eu tenho todo esse amor aqui do outro lado?”.
Veja bem, não estou dizendo que você precisa ter inimizades e desavenças para ser blogueiro. Longe disso! Mas se tiver, não caia no mesmo erro de alguns famosos, que costumam ignorar elogios, mas estão sempre sedentos por responder críticas ofensivas. Não seja assim. Isso é colocar as pessoas que te acompanham e desejam seu sucesso para baixo em detrimento de quem quer vê-lo fracassar. Agora, se você não tiver inimizades, fique feliz. Seu espaço só atrai gente incrível, pessoas maravilhosas, e não há coisa melhor.

 7. Conte com seus leitores
Se você começa a tratar seus leitores como amigos/família, você poderá começar a contar com eles para tudo. É o meu caso. Tenho os melhores leitores que poderia pedir, e sempre que preciso de ajuda, seja onde for, eles estão lá por mim. Também puxam minha orelha quando acham necessário, comemoram comigo minhas conquistas e ficam ao meu lado até nos momentos ruins. Se eu estou sem inspiração, é só entrar no grupo e pedir ajuda para eles. Ou mesmo perguntar na página. Sempre dá certo! Além de alguns já terem aparecido por aqui compartilhando um conteúdo legal. Esses são meus amigos leitores e foi muito fácil torná-los assim. Faça isso e não se arrependerá! Mas minha outra dica é que você também...



8. Tenha amigos blogueiros
É a melhor coisa! Sério. Ter aqueles amigos com quem você pode contar e que entendem toda a sua situação. Eles irão compreender os seus bloqueios para criar postagens, irão ajudá-lo com novas ideias e te darão todo o apoio que só outro blogueiro sabe dar. Claro que no meio do pacote virão aquelas pessoas interesseiras, talvez apareçam alguns que irão decepcioná-lo no futuro, mas só com o tempo você aprenderá a separar o que é bom do que é tóxico. Enquanto você ainda não sabe, firme o maior número de amizades com blogueiros que conseguir. Vale a pena!

9. Cuidado com sorteios!
São ótimos? Sim. Mas não se vicie. Especialmente se você depender de outros. Foi o meu caso. Já me ferrei inúmeras vezes com gente que quis fechar parceria para sorteio mas não cumpriu o compromisso. Não é a pessoa que ficará malvista, e sim você. Por isso é bom pensar muito antes de fechar qualquer parceria com sorteio – só tope se a pessoa for confiável. Já tive vontade de desistir de fazer sorteios, e seriamente ainda penso nisso muitas vezes. Eu poderia continuar e só usar como prêmio aquilo que dependesse de mim, porém moro em Belém e o frete daqui para o resto do Brasil costuma ser uma coisa exorbitante. Se você tem sorte e mora mais para o Sudeste, aproveite. Livros bons de dez reais pipocam a todo momento na Amazon e são um modo legal de promover sorteios para “homenagear” ou agitar aqueles que acompanham você, além de ser um modo de conseguir mais leitores.
Porém, repito: não se vicie. Fazer muitos sorteios sucessivos pode parecer sinônimo de “fartura”, mas eu sinceramente vejo como desespero. Especialmente aqueles que obrigam o leitor a curtir a página. Além de o Facebook tecnicamente proibir, seus números crescem exponencialmente e você se empolga, mas não percebe que a maioria será de leitores fantasmas que não acompanharão de verdade o seu trabalho. Isso não é bacana. Do que adianta tantos números e tão pouca interação? 

10. Seja sempre sincero
Sinceridade é tudo. Cultive-a. Se você começar a mentir sobre o que leu, as pessoas irão perceber em algum momento. Minha mãe ama dizer que mentira tem pernas curtas e eu acredito piamente nela. Se incumbir a você a avaliação de algum livro ou outro produto, seja sincero. Não importa se você tenha sido pago para opinar, ou recebido de graça: não engane seus leitores, essa provavelmente é a pior traição contra quem acompanha seu trabalho.
Deixem-me contar uma experiência ruim: sou parceira da DarkSide Books e em 2015 recebi a notícia de que publicariam Os Senhores dos Dinossauros. Fiquei animada por conta da comparação e indicação do próprio George R. R. Martin. Fiz hype em cima mesmo, admito! Entrevistei o autor, Victor Milán, que provavelmente é o escritor mais gentil que já conheci na vida. Então, meses depois, o livro chegou em minhas mãos. Li... E não suportei. Que outra opção eu tinha senão a sinceridade? Entrevistara o autor, a editora era minha parceira, alardeara sobre o livro em todo o Facebook... Mas precisei fazer essa resenha, precisei ser sincera. Mais que um dever, uma obrigação. Eu precisava me redimir com os leitores porque eles mereceram uma retratação. Escolhi a sinceridade


E quanto a você? Tem um conselho legal para deixar? Também tem blog? O que aprendeu com ele desde que o criou? Compartilha comigo. Estou bem curiosa pra saber.

Os comentários de nossas postagens antigas não estão aparecendo por algum problema com o Disqus. Estamos trabalhando o mais rápido possível para recuperá-los.


  Título da Série:  Executores   Título do Livro:  Coração de Aço (1º livro)    Autor:  B...


  Título da Série: Executores
  Título do Livro: Coração de Aço (1º livro)
  Autor: Brandon Sanderson
  Editora/Tradução: Aleph/Isadora Prospero
  Páginas: 392
  Ano de Publicação: 2016
  Onde Comprar: Amazon || Submarino || Saraiva || Livraria Cultura || Compre aqui e ajude o MeL
  Recomendo também: Resenha do Desbravando Livros


Sinopse “Misteriosamente, pessoas de diferentes origens receberam superpoderes, mas essas pessoas, ao contrário do que se esperava, tornaram-se vilãs. Após tomarem o controle das cidades, eles criaram uma nova realidade distópica, submetendo os humanos a uma vida de servidão. Isso aconteceu há dez anos, quando David viu seu pai ser morto por Coração de Aço. Agora, ele estuda as fraquezas dos supervilões, e quer ajudar o misterioso grupo Executores em sua ousada missão de matar os tiranos um a um.”

Super-heróis tem sido um tema com cada vez mais notoriedade na nossa cultura pop, o que tem alavancado de forma exponencial a indústria cinematográfica e de HQs de editoras como Marvel e DC. É difícil hoje em dia falarmos de cinema, desenhos e até jogos sem citar algo relacionado a essas figuras incríveis.
E em meio a toda essa onda de Batman, Homem-Aranha e Superman nos deparamos com Coração de Aço, escrito por um dos maiores nomes da fantasia atual, Brandon Sanderson, cujo tema principal gira em torno de super-heróis. Ou devo dizer, super...vilões (?).
Depois da Calamidade (um evento estranho caracterizado pelo aparecimento de uma estrela vermelha no céu), algumas pessoas receberam poderes especiais de diversos tipos. Contudo, ao invés do que estamos acostumados a ver, os Épicos (pessoas com superpoder) não viraram os super-heróis, pelo contrário, eles se tornaram vilões, super-vilões, passando a dominar as cidades e submetendo as pessoas comuns à servidão.

“A única coisa que você consegue ver lá em cima é Calamidade, que parece um pouco com uma estrela vermelha ou um cometa brilhante. Calamidade começou a brilhar um ano antes do início da transformação dos homens em Épicos. Ninguém sabe por que ou como ele ainda brilha na escuridão.”

Coração de Aço, publicado aqui no Brasil pela editora Aleph, nos conta a história de David que, aos oito anos de idade, presenciou a morte de seu pai nas mãos de Coração de Aço, um Épico invulnerável e dito ser um dos mais poderosos de todos.
Após transformar Chicago (agora renomeada de Nova Chicago) em aço e fazer com que um de seus subalternos – Punho da Noite – inundasse a cidade numa escuridão eterna, Coração de Aço passou a dominar toda a cidade. Épicos são livres para fara fazer o que quiserem com as pessoas comuns, e por conta disso boa parte da população vive agora em túneis subterrâneos chamados de sub-ruas.
Passando os próximos dez anos estudando os Épicos e suas fraquezas, e elaborando um jeito de derrotar aquele que assassinou seu pai, David acaba conhecendo o misterioso grupo Executores, cujo único objetivo é matar Épicos. Com esse encontro as chances de obter sua vingança se tornam cada vez mais possíveis pois David tem uma informação que ninguém mais tem. Ele viu Coração de Aço sangrar.

“Eu sei, melhor do que qualquer outra pessoa, que não há heróis vindo nos salvar. Não há Épicos bons. Nenhum deles nos protege. O poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente.”

Sanderson criou um ambiente distópico e inusitado, que passa a ideia de “opressão” e uma ausência de esperança em super-heróis, seguindo a ideia de que “o poder corrompe”, e nos delicia com uma excelente história, com personagens divertidos e uma trama envolvente que foge do padrão. O autor atribui uma nova roupagem às tramas de super-heróis, porém sem perder a essência do gênero e de sua escrita característica.
Além disso o livro é narrado em primeira pessoa e é muito legal (e engraçado) ver os pensamentos de David ao longo da narrativa, principalmente em relação às suas tentativas frustradas em elaborar metáforas e sobre Megan, integrante dos Executores.
O grupo dos Executores é comandado por Prof, um homem muito respeitado e misterioso, e é composto por pessoas comuns que com a ajuda de ferramentas especializadas como jaquetas de proteção, luvas capazes de transformar metal em pó e armas de fogo, combatem os Épicos ao redor do mundo.
É interessante ver as teorias acerca das fraquezas de cada Épico e muitas vezes nos pegamos elaborando teorias junto com os personagens sobre possíveis estratégias de como derrotar os Épicos. As cenas de ação são estonteantes e andam em um bom ritmo, sendo muito fácil de imaginá-las nas telas do cinema.

“Você provavelmente já viu fotos de Coração de Aço, mas deixe-me dizer que fotos são completamente inadequadas. Nenhuma fotografia, nem vídeo ou pintura jamais poderia capturar aquele homem. Ele usava preto. Uma camiseta justa sobre um físico inumanamente largo e forte. Calça solta, mas não folgada. Não usava máscara, como alguns dos primeiros Épicos, mas uma capa prateada magnífica flutuava atrás dele.”

Maaaas... como não podia faltar em um livro de Brandon Sanderson, temos um final surpreendente e bem inesperado, mas incrivelmente satisfatório e sensacional com um plot twist daqueles de deixar sua boca aberta enquanto lê.
Vale lembrar que a série Executores não está inserida no universo Cosmere de autor.
Bom, fica aqui a dica de leitura da vez e lembrem-se...

Onde existem vilões, existirão heróis. Aguarde. Eles virão.


 Este post foi escrito por Fabio Otsuka.