Resenha de Séries 01: Marco Polo - S01E01 - Os Viajantes

Postado por - segunda-feira, janeiro 26, 2015



Resenha dedicada à Helder Machado.




Título da Série: Marco Polo 
Ano de Produção: 2014
Estreia: 12 de dezembro de 2014
Diretores: Alik Sakharov, Daniel Minahan, Espen Sandberg e Joachim Rønning
Temporada: 1ª
Episódio: 01 - Os Viajantes
Duração: 51min12s
Classificação: 18 anos
Não há avaliação "em estrelas" porque está é uma resenha apenas do primeiro episódio, não da temporada.
Mais informações aqui.

O épico de ação "Marco Polo" segue o caminho do jovem explorador pela Rota da Seda até o palácio do grande Kublai Khan. O jogo de poder, traição e intrigas sexuais do palácio serão o grande desafio de Marco, mesmo como homem de confiança do Khan durante sua violenta campanha para se tornar Imperador do Mundo.
ESTA RESENHA CONTÉM SPOILERS.
Se quiser evitá-los, pule para a análise em imagem no final do texto. 


        Desde o sucesso de séries como Orange Is The New Black e House of Cards, podemos notar o quanto a Netflix passou a investir em séries originais. Marco Polo aproveitou este bom momento do canal streaming e estreou no dia 12 de dezembro de 2014. Desde então vem recebendo muitas análises negativas por parte de críticos especializados, mas ainda assim angariou um bom montante de fãs até o momento. O público ama, os especialistas não. Cabe a você decidir qual crítica pesa mais. Se for um amante de história como eu, deixe-me logo fazer uma previsão: você irá amar.



        Antes de tudo, você precisa entender: quem é Marco Polo? Sujeitinho famoso, esse. Sua obra, As Viagens de Marco Polo, relata com uma surpreendente clareza de detalhes todas as suas viagens pelo Oriente ao lado de Niccolò e Maffeo Polo, pai e tio (respectivamente). O foco da série, no entanto, é a China do século XIII e a real guerra que existiu entre a China e a Mongólia nessa época. Não esqueçamos também da Rota da Seda, que os Polo levam três anos para atravessar desde a Itália até o palácio do Grande Khan, neto de Gengis Khan: trata-se de uma via comercial terrestre que ligava o Oriente ao Ocidente, estendendo-se, segundo Niccòlo, 6,5 mil quilômetros Veneza afora pelo mundo.
        Agora podemos ir para a série: já na primeira cena do episódio temos uma clara noção da guerra entre o exército mongol e o exército chinês. Os três Polo e mais uma horda de comerciantes que os acompanhavam chegam a uma aldeia e encontram o caos e a morte. A aparentemente única sobrevivente do massacre relata: aquilo foi trabalho do Rei Diabo - ou Kublai Khan. A introdução não brincou quando disse que "seus exércitos se enfurecem pela Rota da Seda, aniquilando quem cruza seu caminho". A aldeia em questão era leal ao Chanceler Jia Sidao, da dinastia rebelde Song, e certamente pode ser classificada como tendo cruzado o caminho dos mongóis.



        As mortes não acabam por aí. O exército mongol ainda está por perto. Todos os comerciantes são mortos por eles em uma chuva de flechas, exceto os Polo, que são escoltados ao palácio imperial do Khan. Reverências feitas, discurso do imperador finalizado quanto à aceitação do cristianismo em seu império... Então chegamos na cena onde o potencial de Marco como narrador nos é revelado.
         Kublai pede que os Polo descrevam o deserto do Taklamakan, por onde passaram. Nos deparamos com Niccòlo e Maffeo numa tentativa desesperada de cumprir a ordem, com descrições talvez fidedignas demais à realidade. Marco entra em ação e, com toda a sua poesia, consegue arrancar suspiros e sorrisinhos de muitas das mulheres da corte, não apenas com sua descrição onírica do deserto, mas também com os gracejos que faz. 


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        Diálogo vai, diálogo vem. Os Polo descobrem que foram banidos da Rota da Seda. Afinal, não conseguiram cumprir a tarefa que lhes fora incumbida: levar sacerdotes ao Khan. Numa última tentativa desesperada de não ser banido para sempre, Niccòlo oferece o próprio filho para servir Kublai enquanto arrecada tributo para pagar ao imperador pelas viagens. E, simples assim, eles têm o banimento revogado. Niccòlo e Maffeo saem, tchau, foram embora.
        Isso me deixou extremamente chateada. Quer dizer, quem abandona o filho assim? Mas parando um momento para pensar, se Niccòlo não deixasse Marco para trás não haveria história. De qualquer forma... Sim, dá raiva. Argh.
        Então o episódio segue. Marco é encarcerado e, enquanto está ali, preso, faz um retorno ao passado, três anos antes. Acompanhamos a rotina do mercador, na época com vinte anos. Revivemos com ele o momento em que conhece Niccòlo, que havia passado exatos quatorze anos na Rota da Seda e sequer sabia que a esposa e mãe de Marco morrera quando este contava seis anos de idade. Não imaginava que tinha um filho também.
        É um reencontro breve, sem muitas emoções. Niccòlo logo revela que terá de voltar à Rota da Seda com o irmão, Maffeo, para uma viagem especial. Marco pede para não ser abandonado mais uma vez pelo pai, ele quer ir junto. Niccòlo é categórico: não, pois é pouco provável que Marco suporte os rigores da viagem.
        Claro que isso não o impede e ele se esconde no navio do pai.
        Ainda no flashback acompanhamos a viagem de três anos, onde os comerciantes enfrentaram as mais diversas situações: neve e calor extremos, regiões montanhosas, tempestades de chuva e de areia. Há desistência por parte do sacerdote, que ruma de volta para o navio. É ordenado que Marco vá junto, mas é claro que ele permanece. Mesmo passando mal, mesmo caindo, ele continua firme. Aqui abro um parêntese para falar sobre a maquiagem da série: fantástica. As queimaduras no rosto dos viajantes eram tão verossímeis quanto possível. Outra coisa que me prendeu foi Niccòlo como o pai que tenta compensar todos os anos perdidos ao lado do filho. Uma das cenas mais bonitas do episódio foi um pequeno momento de conversa entre os dois. Percebemos o quanto querem se aproximar mais um do outro, mas este é um terreno delicado e tão quebradiço quanto gelo. 

        O resto do episódio se dedica à mostrar a situação da guerra. Kublain Khan anseia mais do que tudo tomar a Cidade Murada, que tem sido uma pedra no sapato dos Khan há umas boas décadas. Em um primeiro momento pensamos que seu desejo é unificar o Sul e o Norte da China, mas logo descobrimos a real intenção:

        Claro que o primeiro passo é derrubar Xiangyang, e pra isso Khan destaca seu filho, Jingim, que receberá auxílio de Ariq, o Forte, irmão caçula do imperador. A eles foi incumbida a tarefa de derrubar Wuchang e cortar essa fonte de suprimentos da Cidade Murada.
        Bem, agora é hora de conhecer a corte do imperador da Dinastia Song. Vemos que ele está à beira da morte. Seu chanceler, Jia Sidao, não parece muito triste em constatá-lo nessa situação. Afinal, como ele mesmo diz, não é muito legal ficar ouvindo ordens e loucuruas de um imperador moribundo. Conhecemos também Mei Lin, irmã do chanceler, conhecida por distribuir "agrados" entre os nobres. Eis a primeira cena de sexo do episódio - mas nada muito explícito.
        De volta ao palácio do Khan acompanhamos o treinamento de Marco em artes marciais (com o maravilhoso Cem Olhos, que apesar de ser cego não decepciona na arte do kung fu), falcoaria, línguas e letras, arco e flecha e, claro, aprende também a montar cavalos do jeito mongol. Não que isso não tenha sido deixado claro anteriormente, mas de fato Marco é bem impetuoso. Quando é convocado à corte do imperador para descrever sua passagem em uma das cidades sob o domínio do Khan, ele é monótono e realista. Após uma ameaça de comer "bosta de porco", retorna à sua genialidade do início do episódio. É instruído a rondar junto com o coletor de impostos para conhecer a cidade, devendo se relatar e reportar ao Khan tudo o que viu.
        Já no fim do episódio, vemos basicamente Jingim se preparando para a batalha, a conspiração do chanceler Jia Sidao que não tem nenhuma pretensão de cumprir a vontade do imperador da dinastia Song em propor uma trégua com os "bárbaros" mongóis e Marco sendo convocado para o Salão dos Cinco Desejos do Grande Khan, um antro de luxúria, uma cena com abundância de mulheres nuas por todos os cantos. Assim termina o episódio, com Marco saindo trêmulo do local, tropeçando, parecendo torturado por não poder tocar em nenhuma das mulheres - ordem explícita do imperador, pois elas só serviam à quem lhe fosse de confiança. Marco ainda não estava na lista.



          E essa é a minha avaliação final:


          Bem, este foi o primeiro episódio. Bem extenso, não? Foi uma sugestão e pedido de Helder Machado, que inclusive pediu para ser bem descritivo (e acho que consegui). Marco Polo é uma série que promete competir com Game of Thrones - no investimento já ultrapassou desta, com aproximadamente 90 milhões DÓLARES para produzir os dez episódios da primeira temporada. Tem um figurino incrível, elenco fantástico e um enredo interessante para quem curte história. Nudez em dose adequada (se você é apaixonado pelas orientais, vai enlouquecer). Efeitos especiais ótimos, pelo menos as mortes foram bem reais até agora. Sem cenas de batalhas por enquanto, aguarde. O primeiro episódio é um pouco parado, mas depois do terceiro você não conseguirá parar de assistir.







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