Era Uma Vez... 02: A Escrita

Postado por - sexta-feira, março 27, 2015


Celly aqui. Como vocês já devem saber, o Math estará postando aqui de dez em dez dias. Ontem este post deveria ter saído, tendo em vista que o anterior saiu dia 16, mas ele cedeu o seu dia para o Gabriel poder estrear e eu cedi o meu para o Math postar. É, um pouco confuso. Resumindo: só estarei postando no domingo. Vejo vocês lá!



Se existem gênios para a escrita, eles são poucos. Posso afirmar com toda certeza que eu não sou um deles. Eu sou como a maioria; preciso praticar, praticar, praticar, praticar mais um pouco e praticar... É, acho que vocês já entenderam.
 Para coluna de hoje eu tinha em mente fazer um complemento da “A dificuldade de escrever uma boa fantasia” (confira o post clicando aqui), mas conforme fui escrevendo ela se tornou algo diferente e abrangendo a escrita no geral. Por isso posso antecipar que ela será mais densa, pois falarei um pouco do lado emocional do autor, do tempo, de incômodos e da escrita.
Começarei com as emoções. Provavelmente muitos de vocês já ficaram frustrados por acharem que escreveram uma redação boa e, na hora de receber a nota, sentiu tanto ódio pelo mísero resultado que xingou o corretor ou até o amigo que recebera uma boa nota, sendo que você tinha certeza que o seu estava melhor. Passando o emburro você dá mais uma lida na redação e aos poucos percebe que foi você mesmo que escreveu de uma forma ruim. Bom, escrever um livro, contos ou crônicas é mais ou menos igual. A diferença que não há professores, nem amigos para culpar.

Geralmente é um tédio, uma merda escrever. Muitas vezes pensei “Por que fazer isso no final das contas?” “Por que escrever?” “Para que serve isso?” E a que está quase que sempre ao meu lado: “Por que eu estou escrevendo... ?!” Queria ter essas respostas. Mas só um dia ou outro eu sei uma delas. É assim.


Talvez você estivesse certo que o problema é a correção do professor, mas de qualquer jeito você sabe como é sentir-se frustrado com o momento. Aquele papo que escritor é pessimista... melancólico. É um pouco verdade. A qualquer momento que você for reler um trecho, uma frase, ou a construção de um parágrafo, você não vai se contentar e reescreverá. Às vezes está até bom, mas sempre pensamos que podemos melhorar. E é assim inúmeras vezes o tempo inteiro até que enfim achamos suficiente para deixar passar. Como as madrugadas foram frustrantes para mim... Como ao mostrar um pedaço do livro para um amigo e ele apontar vários erros nos traz uma tristeza. Sentimos-nos péssimos e para baixo. A melhor coisa para se fazer é escutar e ter a noção do que realmente deve ser mudado. Não devemos dar total atenção às coisas que as pessoas falam. Muito do livro é você. A obra é a sua marca e por isso você deve aceitar algumas críticas, modificar algumas coisas que você também concordar e partir para frente. O livro é seu e só você sabe o desenrolar dele. A questão difícil é: balancear certinho a opinião crítica e a sua vontade. Essa é a peça chave e algo difícil de conseguir. Como se consegue isso? Não sei... talvez errando e aprendendo. E claro, praticando.
Ser escritor também é muito de ser organizado, ter um cronograma e metas. Nada de escrever só quando der vontade. Você deve estar preparado para escrever todo dia, ou quase todo dia. Você deve estar preparado para escrever naqueles momentos bostas do seu dia e da sua vida. Temos que escrever com barulho, com os problemas na sua família, com amigos; ou com aquele trabalho de faculdade que não sai da sua cabeça (nesses momentos a escrita é até terapêutica). Aos novos escritores, vocês devem ter em mente que não se deve escrever só em momento de eterno silêncio, ou paz. Se for assim, você escreverá duas vezes por semana... E acaba que o livro demorará uma eternidade e que você esquecerá-se de muitas coisas pelo caminho. Em meu momento “máquina” por tentar agilizar tudo, escrevia todo dia, por pelo menos 5 horas. Foi duro e cansativo ao extremo. Todo o trabalho de criatividade, vontade, cabeça para pensar em histórias paralelas e tentar esquecer nosso próprio mundo foi direcionada para escrita de todos os dias, por mais de um mês sem parar. E era o tempo inteiro. Graças a isso, escrevi para caralho e tive muitos resultados. No final tive as minhas aclamadas férias e o breve descanso (ou não kkk comecei a escrever para o MeL).
Também devemos saber a hora de parar. Não é assim, abrir o Word e começar escrever... Não é todo dia que você estará um exímio escritor, e esses dias são raros. Quando você tenta escrever, e percebe que a merda do tempo não passa, e nem que você tem saco para escrever. Pare por aí, se forçar muito provavelmente vai ficar tão lixo que você se matará se reler. De uma descansada, uma lida em algum livro. Ou escute até música. 1 hora depois, sente-se na frente do teclado e tente digitar novamente. Uma coisinha a mais sempre terá!
Se não conseguir. Pare. Sempre terá um novo dia... Escrever é muito disso. Só não podemos desistir.
Bloqueio criativo, momentos da escrita e estudo das palavras. Como não citar esses detalhes? Bloqueio criativo todo mundo já teve, tenho certeza. A escrita anda a mil maravilhas no tempo normal, mas quando se chega na hora H, BRANCO. Você escreve, fica uma merda e apaga. Você escreve mais um pouco e percebe que não faz sentindo. Você escreve um parágrafo e nada sai. Nada! Isso é frustrante, isso dá dor de cabeça. Da vontade de gritar, de esmurrar alguma parede. E o pior... Nada disso ajuda para acabar com o bloqueio. Acho que a melhor coisa é pegar um bom livro e lê-lo. Mas não preste atenção só na história. Preste atenção nas palavras, nas frases, nas construções dos parágrafos. Muita do seu desenvolvimento está ligada no estudo das palavras... E agora você deve estar se perguntando: “tá.. e aonde está a dificuldade nisso?” Bom, a dificuldade está que lendo uma vez você não conseguirá nada. Devemos ler; reler, e ler mais um pouco todo tipo de livro. Desde teórico até romance. Prestando atenção sempre nas palavras e abrindo cada vez mais seu vocabulário. E acreditem, isso é um trabalho que levará alguns anos para você sentir algum resultado. Talvez esse seja a pior coisa. O tempo... Mas vocês perceberão que a leitura está dando certo principalmente quando palavras surgirem em sua mente que se encaixam perfeitamente na frase. Às vezes você nem lembra o significado, e mesmo assim ela se encaixa.

Temos por último a vida. A doce e bela vida. Maldita vida (rsrsrs). Ao assumir um compromisso com a escrita, você deve saber que sua vida terá altos e baixos. E que isso vai se refletir no seu oficio. Tem fases que você se sentirá um merda, que você não terá vontade de fazer nada. Sua escrita vai ficar para baixo. Juntando isso e mais o nosso pessimismo, a combinação é algo de assustar, algo que não vale a pena falar muito. Saiba que ficamos sombrios (rsrs) Da vontade de desistir. Já passei por essa fase várias vezes durante a criação do meu livro e ela não é saudável. Realmente eu peguei todos os arquivos e quase apertei o botão Delete. Por alguma coisa do destino, eu não baixei a mão. Por isso sempre copie seus arquivos em outros lugares...


Bem, sempre terá várias coisas para serem ditas, e que sempre esqueceremos uma ou outra. No momento nenhum mais se encaixa nesse texto. Mas podem ter certeza que ainda há vários.

Ando em uma péssima fase. A sorte que estou no descanso do meu livro, o deixando amadurecer. Na verdade estou de saco cheio de escrever essa matéria. Não porque eu enjoei de escrevê-lo, mas sim porque para mim ele está ruim, desnecessário. Se não acreditam em minhas palavras e acham que estou fazendo cena, pode perguntar para a Celly, a chefe do blog, de como tive que perguntar se isso estava postável. Porque em minha opinião não está kkkk Mas ela gostou e me forçou a terminar. E aqui está ele! Não sei mais o que escrever. São duas da manhã, to cansado e com sede. Amanhã acordo cedo, faço trabalhos da faculdade e estudo (isso que ainda não tenho emprego). Essa é a vida de um jovem escritor. Essa é a dificuldade.

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