Me Livrando 16: Caninos Brancos

Postado por - sábado, maio 16, 2015




Olá,! Antes de começar a ler esta resenha, eu gostaria que você entrasse no clima do livro. Caninos Brancos foi aquele livro que eu "descobri" por acaso, mas que possui uma ligação com um filme que eu amo e que também tem uma trilha sonora que eu considero deusa, diva e maravilhosa. Então, indo direto ao ponto, gostaria que vocês entrassem no clima da história escutando duas musicas do Eddie Vedder, elas são: The Wolf e Photographs. São duas músicas bem diferentes que me lembram do desenvolvimento da história, espero que entrem nessa viagem comigo, apertem o play e vamos lá.




Caninos Brancos (White Fang no original) é uma obra de 1906 do autor Jack London (foto ao lado). Esta edição é da L&PM Pocket e conta com 232 páginas. Compare os valores e saiba mais. Encontre-o: Skoob || Orelha de Livro || Goodreads.







Ps: Esse livro tem um século então várias versões foram feitas com datas, traduções e notas diferentes então fica difícil dar todas as informações com precisão. Tudo que está ali em cima corresponde aversão pocket que eu comprei por achar a capa mais bonita




O objetivo da vida era a carne. A própria vida era carne. A vida vivia da vida. Havia os que comiam e os que eram comidos. A lei era: COMER OU SER COMIDO. Ele não formulou a lei em termos claros e estabelecidos, nem moralizou a respeito. Nem sequer pensou sobre a lei: apenas vivia a lei sem pensar sobre ela. Via a lei funcionando ao seu redor por toda parte.

A mensagem que Caninos Brancos tenta passar é simples. Tanto os homens quanto os animais são moldados pelo ambiente que os cercam. Eu sou a exata reflexão de onde cresci, de quem conheci e do que enfrentei. As coisas são assim, somos todos moldados pelo que está ao nosso redor. Se somos bons ou maus, brincalhões ou sérios, tudo isso pode ser mudado com o tempo e o local onde estamos, até mesmo os nossos meios de amar são esculpidos pelo ambiente onde vivemos.
Levando isto em conta a história começa antes mesmo do nascimento de Caninos, mostrando a verdadeira ferocidade e luta pela sobrevivência. Kishe, uma cachorra metade loba, é líder de uma alcateia que está enfrentando uma grande época de fome. Os lobos estão magros e quase mortos sem comer nada, e então passam a arriscar-se a caçar tudo que se mova, mostrando nessa parte que o homem não é nada mais que uma presa. Noite por noite uma parte deles é caçada e morta. A própria loba lidera com os conhecimentos e experiência que tem sobre o que é o homem. O sentimento passado nesse prólogo é simples: os lobos são bestas mortais e dispostas a tudo para sobreviver. Este sentimento que eu citei, comparado com todo o conteúdo do livro, te mostra o jogo que Jack London faz, pois ele revela a crueldade da vida e dos protagonistas do livro, mesmo que tudo isso se inverta na próxima página: a leitura continua envolvente, curta e de certa forma poética. 

Algo o chamava na floresta. A mãe também escutava esse apelo. Mas ela escutava igualmente aquele outro chamado mais forte, o chamado do fogo e do homem — o chamado que dentro todos os animais, foi dado apenas ao lobo responder, ao lobo e ao cachorro selvagem, que são irmãos.


Kishe é a mãe de Caninos Brancos, ela exemplifica a sobrevivência, pois ora ela é loba feroz e diabólica, ora é simplesmente um cão que mostra a barriga para o dono acariciar. Caninos não teve este mesmo espírito, pois ele nasceu na floresta e a vida selvagem o chamava. Caninos nasceu um lobo que descobre e se adapta ao mundo que vive e a base do livro é a evolução desse personagem que talvez não crie um vínculo com o leitor até as últimas páginas, onde todas as linhas são amarradas e o personagem se desenvolve completamente, dando sentido a trama e as amarras que Caninos teve em sua vida.


Minhas Impressões

Desculpe-me por não me aprofundar muito na resenha, mas não o fiz, pois a história é curta e a beleza dela está nas palavras e passagens repetidas. Dizer a você o que acontece com Caninos e também o que ele se transforma pode simplesmente estragar a experiência de quem for ler. Basicamente o que posso dizer é que é uma leitura fácil e pequena, porém cheia de detalhes simples e complicados que se mesclam para nos passar qual é a visão do protagonista-lobo. Eu diria que esta é um história pra ser lida com calma, pois o estilo de narração é diferente e pode incomodar quem não estiver aberto a aceitar a visão de Caninos, pois para ele os homens são deuses em carne osso. Concluindo: o que tentei dizer nesta resenha é que lendo Caninos Brancos eu experimentei uma história entre um lobo que foi moldado por vários ambientes e que levou um pouco de cada um deles, porém não é só isso, pois a história foca no personagem e ao mesmo tempo passa através dele para atingir conceitos sobre a vida e o que ela nos impõe. Abusando de uma linguagem diferente originada na cabeça de um simples lobo que evolui através do mundo que é lhe dado, talvez esta seja a resenha onde há muito que falar e mesmo assim pouco a se dizer. Uma coisa bem complicada de fazer.




Avaliação final:






—Uma tribo de índios da qual o velho dono de Kishe participa encontra Caninos e sua mãe, mas logo depois os dois são separados.
— Caninos passa a ser o cão de um índio chamado Castor Cinza que o deixa a mercê dos outros filhotes, e assim Caninos passa a ser odiado e perseguido.
Caninos vira um animal extremamente odiado na tribo por matar os outros cachorros em brigas e Castor Cinza o incentiva a ser mais monstruoso.
— Apesar de Caninos se ver como propriedade de Castor Cinza e assim defendê-lo a todo custo, Castor vira alcoólatra e vende Caninos ao um homem perverso que o usa como cão de briga.
— Caninos Brancos é resgatado por Matt e Scott e começa sua aprendizagem sobre o amor e como ele pode vir dos homens e até dele mesmo que nunca tinha sentido algo do tipo antes.

Um pouquinho mais...


Caninos Brancos é bisneto de Buck, o cachorro personagem principal de O Grito da Selva, também de Jack London (saiba mais aqui), mas alguns também consideram-no como uma reencarnação do próprio Buck.
Há uma polêmica em torno da tradução da Martin Claret, que em sua primeira versão alterou muitos termos utilizados por Jack London, inclusive o título - que passou a ser Colmilhos Brancos. No entanto, em 2012, a editora optou por relançar o livro com o título original e uma tradução fiel. Saiba mais sobre a polêmica aqui.





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