Me Livrando 19: Os Verdadeiros Gigantes #celebreoqueénosso

Postado por - quinta-feira, junho 18, 2015



     , você precisa conhecer Elgalor. E adianto: Krüger é o nosso Martin brasileiro - por Deus, como ele gosta de matar personagens! E Cris Albert, leitora parceira, amiga e colaboradora no Leitores Forever: eu sempre lhe serei grata. Obrigada por ter me indicado ao Charles, sem você eu jamais teria lido esta obra-prima.


Foto -Charles William KrügerOs Verdadeiros Gigantes, de Charles William Krüger (foto ao lado), foi um dos lançamentos da Cata-vento Editora para 2015. Ele está à venda aqui e tem 154 páginas. Encontre-o: Skoob || Orelha de Livro.





           Bem-vindo ao mundo fictício de Elgalor. Abriga elfos, anões, humanos, orcs, gigantes, dragões vermelhos e outras criaturas das trevas. O enredo de nosso livro centra-se no reino de Darakar, que pertence aos anões. E tudo tem início com a leitura de uma carta.
           Rodan é um anão com sede de vingança - ou justiça, como ele prefere chamar. Deixa uma carta aos amigos Garren e Drunnan antes de partir na jornada para vingar a morte do pai, sendo guiado pelo espírito deste. Tudo estaria bem, não fosse o fato de Rodan ter feito essa escolha egoísta: abandonar seu reino para seguir fantasmas do passado que não importava o que ele fizesse, jamais retornariam. Mas ele persiste, insiste e vai. Resta aos seus amigos irem atrás para tentar trazê-lo de volta. Seria um enredo simples e sem muitas complicações, não fosse a guerra prestes a eclodir e engolir o reino dos anões - e Elgalor como um todo.
           Um dos capítulos mais bonitos do livro nos mostra justamente isso: a guerra. Você tem treze anões e vê uma batalha pelo ponto de vista deles - na verdade, está mais para pique-esconde com orcs. A narração de Krüger alcança seu ápice nesse singelo capítulo. Os anões de seu universo são fantásticos. Você se apaixona, mesmo não sabendo seus nomes. Mesmo que cada um pereça no campo de batalha, você não sente pena, você não sente nada. Não pela falta de habilidade do escritor, mas pela fibra com que aquele povo é feito. É um efeito bizarro causado no leitor. Você sente orgulho. Vê todos ali, lutando com garra e ardor contra orcs vis, cruéis e traiçoeiros, e um arrepio lhe percorre a espinha por estar diante de um povo tão forte e corajoso, que se recusa a fazer armadilhas torpes e atacar seus inimigos desprevenidos. Todos morrem, e você sabe que nem um deles morreu em vão.


Uma das passagens mais lindas: os treze anões.
           Em toda Elgalor, a guerra continua. O mesmo acontece com a jornada de Rodan, que encontra pelo caminho uma vila de humanos, enfrenta gigantes e assiste diante de seus olhos pessoas sucumbirem perante orcs, mas não faz nada para ajudá-las. Egoísmo,? Sim. Mas também foco e concentração. Ele tem uma missão e não desviará dela - aquela guerra não é mais minha.
           Simultaneamente, acompanhamos a situação em Darakar. O rei, Balderk III, reúne-se com elfos e humanos, além de outros clãs de anões, atrás de uma estratégia para impedir que os orcs acabem com tudo que lhes é mais querido. Ainda que o perigo se estenda a toda Elgalor, os presentes ali sabem que o foco serão os anões. Afinal, estarão enfrentando Gorgosh, um dos Arautos da Destruição, que se autointitula Dilacerador de Anões. E mesmo com cuidadoso planejamento, caem numa armadilha.
           Garren e Drunnan continuam sua jornada, encontram com um grupo de arcanos e "herdam" a garota deles, Lyayna, que recentemente perdeu o pai e pede para seguir junto com os dois, pretendendo aprender o que for possível com aquele povo fascinante. No final, é ela quem os ensina.
(...) Mas toda a minha força vem do desejo de ter um amanhã melhor que hoje. O ontem, tenha sido bom ou ruim, já passou. Vocês podem até aprender com ele, mas não buscar nele suas forças. A força que vocês buscam precisa estar no amanhã. (....) Não lutem pelo passado. Lutem pelo futuro. - Lyayna.
Eu que agradeço, Charles. Obrigada por me apresentar àqueles que se tornaram meu povo favorito.

           Minha opinião sobre Os Verdadeiros Gigantes é: O livro é fantástico. Ganhou um espaço entre meus livros favoritos de Martin Rothfuss. Mesmo sendo minúsculo, não vi pressa nos acontecimentos. Emocionei-me com muitas citações, surpreendi-me com aquele povo. Ainda que personagens queridos tenham morrido, como eu disse acima, foi impossível me entristecer porque não há como sentir pena dos anões de Krüger - e se você sentisse, eles odiariam, de qualquer forma. São forjados pelas cicatrizes, senhores de seus próprios destinos, buscam força no passado (embora no final Drunnan e Garren tenham aprendido o erro disso). Nunca deixam um irmão sozinho, ainda que para isso arrisquem suas vidas. Confiam uns nos outros cegamente. Eles são todos Verdadeiros Gigantes e você precisa conhecê-los. Destaque para os elfos Naala e Malyn, e também para o Deus Thanor, que é respeitado e amado pelos seus seguidores de forma sensata e racional. 
Acreditamos em nossa própria força. Thanor, o deus que nos criou, nos deu a vida. Isso basta, não acha? O resto é por nossa conta. Ele nos deu a vida, então cabe a nós, com nossa própria força, defendê-la. E estar pronta para perdê-la quando o momento chegar. E por isso aproveitá-la ao máximo. Seu pai está aí, ao seu lado, Leron. Saiba que eu não me importaria de levar cinquenta mil tiros de besta se isso trouxesse meu pai de volta. Mas ele não vai voltar. Ele morreu porque escolheu morrer, e eu vou vingá-lo porque eu escolhi vingá-lo. E nenhuma oração que se faça aos deuses vai trazer meu pai de volta, nem me impedir de buscar a vingança.

           Opinião da leitora parceira Cris Albert:  Achei o estilo de escrita do autor muito interessante e belo, tendo sido este o aspecto que mais me chamou atenção. O livro ainda conta com um enredo legal, tratando do ponto de vista dos anões na fantasia. Enfim, foi uma leitura muito agradável e desejo muito sucesso ao Charles.



— Rodan foi enganado o tempo todo. Jamais conversou com seu pai, embora pensasse que sim; tudo não passava de uma armadilha de Gorgosh.
— No entanto, quando ainda pensava estar seguindo ordens do pai, fez com que Garren abrisse um portal e em seguida o matou, um de seus melhores amigos, porque se ele permanecesse vivo seria o único que poderia fechar o portal. Tudo um plano de Gorgosh, pois este portal levou o exército de orcs para dentro de Darakar;
Rodan também morre, assim como Thundarr, clérigo do clã Machados do Trovão que nos é apresentado no início do livro;
— Não se sabe se Drunnan está morto, a última vez que é mencionado ele está caído no campo de batalha, impossibilitado de lutar e desejando a própria morte;
— A batalha terminou em Darakar, mas continua em Sirhion, um reino élfico (Por favor, que venha uma continuação por aí!).




Avaliação final:



Você sabe do que um anão é feito? Tenho certeza que alguém deve ter dito que somos uma raça forjada no ferro e no fogo, revestida de aço e mithral. Que somos sólidos como a rocha. Pois vou lhe contar um segredo sobre nós, anões. Somos forjados nas cicatrizes.


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