Resenha || Filhos do Éden: Anjos da Morte #Folheando

Postado por - quinta-feira, novembro 19, 2015


  Título da Série: Filhos do Éden
  Título do Livro: Anjos da Morte (2º livro)
  Autor: Eduardo Spohr
  Editora: Verus
  Páginas: 588
  Ano de Publicação: 2013
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  Outras resenhas da série: Herdeiros de Atlântida (1º livro) || Paraíso Perdido (3º livro)
  

Sinopse “Quando o século XX raiou, o tecido da realidade, a barreira mística que separa os mundos físico e espiritual, adensou-se. Os novos meios de transporte, as ferrovias e os barcos a vapor levaram o progresso aos cantos mais distantes do globo, pervertendo os nódulos mágicos, apagando o poder dos velhos santuários, afastando os mortais da natureza divina.
Isolados no Sexto Céu, incapazes de enxergar a terra justamente pelo agravamento do tecido, a casta dos malakins, cuja função é estudar e catalogar os movimentos do cosmo, solicitou ao arcanjo Miguel a criação de uma brigada que descesse à Haled para pesquisar os avanços da civilização. O príncipe ofereceu o serviço dos exilados, que há milênios atuavam na sociedade terrestre, alheios às batalhas que se desenrolavam no paraíso.
Destacados, então, para servir sob as ordens dos malakins, esses exilados foram reorganizados sob a forma de um esquadrão de combate. Sua tarefa, a partir de agora, seria participar das guerras humanas, disfarçados de meros recrutas, para anotar as façanhas militares, as decisões de campanha, e depois relatá-las aos seus superiores celestes.
Esse esquadrão tomou parte em todos os conflitos do século XX, das sangrentas praias da Normandia ao colapso da União Soviética. Embora muitos não desejassem matar, era exatamente isso o que lhes foi ordenado, e o que infelizmente acabaram fazendo.
Em paralelo às aventuras de Denyel, que se desenrolam cronologicamente de 1944 a 1989, acompanhamos também, no tempo presente, a jornada de Kaira e Urakin em busca do amigo perdido, que caíra nas águas douradas do rio Oceanus, durante a destruição da ilha-fortaleza de Athea em Herdeiros de Atlântida.”



 
           A história de Anjos da Morte é dividida em duas linhas temporais: uma no presente, onde acompanhamos a saga de Kaira, e outra no passado, onde acompanhamos a jornada de Denyel até os dias atuais.
         Após Denyel ter caído no rio Oceanus e a cidade de Athea ter sido destruída, Kaira abandona a missão de encontrar o primeiro anjo, também conhecido como Metatron, e segue na busca por seu amigo. Para isso, ela, o sempre fiel querubim Urakin e o novo integrante desse grupo de resgate, Ismael, um hashmalim, terão de encontrar Egnias, mais uma antiga cidade atlante afim de chegar a outro afluente do rio.
         Nesta linha narrativa, a história mantém a mesma receita do anterior, leve, cheia de ação e com um pequeno toque de investigação. Um fato que vale a pena ser mencionado é que a agora os viajantes vão para diversas partes do mundo. O trio viaja por continentes que ajudam e impulsionam todo o misticismo presente no livro. Um exemplo interessante é quando o grupo está na Ásia, visitando locais sagrados, onde o tecido da realidade é mais fino e os anjos podem utilizar seus poderes com intensidade.


           Nessa face da história, ainda ocorre um leve clima de perseguição, afinal os anjos estão desobedecendo ordens diretas do arcanjo Gabriel. A partir dessas situações, podemos ver um pouco mais do amadurecimento e potencial de Kaira, tanto como líder, que em situações desfavoráveis toma as decisões mais corretas, quanto como ishin, já que agora ela está descobrindo ainda mais a força de seus poderes.
           Na outra linha narrativa, iremos acompanhar Denyel durante grande parte do século XX. Fazendo parte do esquadrão dos Anjos da Morte, os anjos tinham a missão de acompanhar os principais conflitos para depois se reportarem aos malakins, afim de fornecer informações sobre o desenvolvimento bélico e o curso da humanidade de uma maneira geral.
Se não for você a fazer, sempre vai ter alguém que o faça.
           Acompanhamos o querubim desde a Segunda Guerra (a Primeira Guerra é citada em um flashback do primeiro livro), onde ele se junta aos americanos para combater os soldados alemães. Após algumas tarefas, Denyel se encontra com Sólon, o malakim a quem ele "obedece", e o mesmo lhe dá uma missão de se juntar a outro esquadrão. Em uma das missões com seu novo esquadrão, os soldados se deparam com algumas situações sobrenaturais que deixam até mesmo o anjo perplexo, afinal, criaturas de planos obscuros estão invadindo a Haled.
           A partir desse acontecimento, a história do livro engrandece de maneira espantosa, já que além dos conflitos muito bem descritos e da mitologia preestabelecida pelo autor, sociedades secretas entram na jogada. Dito isso, vale ressaltar seja o que for que Denyel tenha encontrado naquela missão, esse mistério irá acompanhá-lo por grande parte da trama.
É um bom dia para morrer.
           Após combater na Segunda Guerra e no Vietnã, Denyel pensa já ter cumprido sua missão com Sólon, porém o celestial ainda tinha planos para o querubim. Segundo o malakim, existe uma rede de espiões de Gabriel que está atuando na Haled e a missão de Denyel é eliminá-los, o que deixa o querubim um tanto abalado, afinal, ele é um anjo combatente, um soldado honrado, assassinato a sangue frio não faz parte de sua natureza.




           Minha opinião sobre Anjos da Morte é: Spohr conseguiu se superar mais uma vez e vem mostrando cada vez mais a qualidade do universo que vem criando. Após o final de Herdeiros de Atlântida, confesso que fiquei um tanto curioso sobre como o autor poderia abordar os temas que nos foram apresentados, em mais dois livros, sem acabar enrolando bastante, mas a verdade é que o Eduardo conseguiu expandir o "Spohrverso" como nunca antes, apresentando diversos conceitos que ainda não haviam sido explorados na saga.
           Apesar do livro ser grande e com uma história pesada, a fluidez da leitura é ótima e muito rápida. Outra coisa que vale ser citada positivamente é a pesquisa que o autor realizou para deixar tudo mais realista. Diversos combates históricos e cenas icônicas foram utilizados no decorrer da obra.
           As descrições estão muito boas, você sente que está em Bastogne com os soldados aliados, sentindo frio e fome, ouvindo os tiros ao longe e sentindo o cheiro de sangue se misturando ao de pólvora. Ou então você está sentindo o calor tropical das selvas do Vietnã, com mosquitos para todo lado, com soldados beberrões em uma missão sem sentido. Enfim, sem dúvidas, as descrições foram as melhores e mais completas de toda a saga.
– Ei, Clarence – um cabo cutucou o parceiro, que orava com toda a energia. – Pensei que fosse ateu. 
– Rapaz, numa hora dessas qualquer ajuda é bem-vinda.
           Em Anjos da Morte, Spohr nos entrega sua obra mais sombria até então, o que é bem diferente das outras obras. Neste segundo volume, o autor se preocupa em nos mostrar os comportamentos e motivações dos personagens a fundo, seus traumas e decepções. Nos mostra também, a natureza humana em sua forma mais crua. Como o próprio Eduardo diz:
Em situações extremas, as amarras pré estabelecidas pela sociedade se rompem e, ali, podemos ver o ser humano em sua forma mais plena. Onde existem atos de crueldade tremenda e atos de heroísmo na mesma medida. 
           Então, recomendo esse livro a todas as pessoas que gostam de personagens bem desenvolvidos, além é claro, de ser obrigatório a todos os fãs da saga e dos fãs de fantasia em geral. Sem dúvidas, um dos melhores livros que li neste ano.


O mundo dos homens é um lugar de contrastes, e assim tem sido por milhares de anos. Por vezes ele se apresenta tão ou mais cruel que o próprio inferno, com sua natureza caótica e seus personagens grotescos. Outras, prova-se uma casa de esperança, repleta de amor e ternura, povoada por criaturas notáveis.



           Sobre a edição: Apesar de o livro não ser em capa dura, a edição é muito bonita. A arte de capa é sensacional e transmite muito bem uma cena recorrente, que é explicada no decorrer da trama. A fonte é agradável e existem alguns erros de digitação e impressão, que, apesar de não me atrapalhar na leitura, pode incomodar alguns. As páginas são amareladas e de gramatura relativamente alta para um livro de mais de 500 páginas. Fora isso, a Verus mantém o padrão de suas outras publicações.


Livros da série: Herdeiros de Atlântida (resenha aqui) || Anjos da Morte || Paraíso Perdido





  

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