Resenha || Hellraiser – Renascido das Trevas

Postado por - domingo, novembro 15, 2015


  Título do Livro: Hellraiser – Renascido das Trevas
  Autor: Clive Barker
  Editora/Tradução: DarkSide Books/Alexandre Callari
  Páginas: 160
  Ano de Publicação: 2015
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  Livro cedido em parceria com a editora.

Sinopse “Escrito em 1986, HELLRAISER - RENASCIDO DO INFERNO apresentou ao público os demoníacos Cenobitas, personagens criados por Clive Barker que hoje figuram no seleto grupo de vilões ícones da cultura pop como Jason, Leatherface ou Darth Vader. Toda a perversidade desses torturadores eternos está presente em detalhes que estimulam a imaginação dos leitores e superam, de longe, o horror do cinema. Clive Barker escreveu o romance HELLRAISER - RENASCIDO DO INFERNO (The Hellbound Heart, no original) já com a intenção de adaptá-lo ao cinema. O cultuado filme de 1987 seria sua estreia na direção, e ele usou o livro para mostrar todo seu talento como contador de histórias a possíveis financiadores. Nas palavras do próprio Barker: “A única maneira foi escrever o romance com a intenção específica de filmá-lo. Foi a primeira e única vez que fiz assim, e deu resultado”.


    



           A estreia de Clive Barker no mundo da escrita foi com uma coletânea intitulada Livros de Sangue no ano de 1984. Dois anos depois ele publicou The Hellbound Heart, que é o nome original da obra Hellraiser – Renascido do Inferno, publicada em setembro por aqui pela DarkSide Books. E é sobre ele que trataremos agora. 
          Hellraiser é uma obra no mínimo surpreendente. Pelo menos assim foi para mim. Aproveitei o feriado do Dia dos Professores para lê-lo – e terminei em um dia. São poucas páginas, mas nem sempre isso significa que a leitura será rápida. Não são muitos os autores que conseguem mantê-lo preso às páginas de seu livro. Barker conseguiu (e com maestria).
         Conhecemos Frank Cotton, um hedonista que encara a vida com enfado e já não consegue sentir prazer nem com o sexo. Possuindo alma aventureira, vive em constantes viagens, mas até elas chegaram em um ponto de entediá-lo. Em um dos países que visita, no entanto, ele ouve burburinhos sobre a chamada Configuração de LeMarchand, um cubo-quebra-cabeça que leva aquele que consegue solucioná-lo para a dimensão dos Cenobitas (ou Hierofantes), o universo extradimensional das criaturas que conhecem tudo e um pouco mais sobre o prazer carnal. Frank consegue para si a caixa com o seu antigo proprietário em Düsseldorf e retorna com ela para a casa da avó falecida na Inglaterra. Ele isola-se em um dos quartos e espalha no chão ofertas bizarras para os visitantes do outro mundo, como uma jarra com sua própria urina. Dedica seus dias a resolver a caixa, e quando finalmente acontece os Cenobitas surgem. Aí a coisa começa a ficar feia para Frank.


Por que, então, ele estava tão aflito de observá-los? Seriam as cicatrizes que cobriam cada polegada dos corpos deles, a carne cosmeticamente perfurada, cortada e infibulada, sendo a seguir coberta de cinzas? Seria o odor de baunilha que eles traziam consigo, a doçura que mal conseguia disfarçar o fedor que havia por detrás? Ou seria que, conforme a luz aumentava e ele os examinava mais atentamente, não viu nada de alegria ou mesmo de humanidade em seus rostos mutilados, apenas desespero e um apetite que fazia suas entranhas se retorcerem?
 

           Frank esperava por mulheres lânguidas e sensuais, com corpos esguios e ansiando por prazer tanto quanto ele. Não foi o que encontrou, como você pode ver. Em seus estudos sobre a Ordem de Gash – a ordem dos Cenobitas –, ele não imaginou uma hipótese: que a sua noção de prazer não fosse exatamente a mesma das criaturas. Os Cenobitas são extremamente sadomasoquitas. E atenderam ao pedido de Frank: pelo que pareceu uma eternidade, ele conheceu a noção que eles possuíam de prazer e foi levado aos extremos das experiências sensoriais.
As súplicas se tornaram um só som, palavras e sentidos eclipsados pelo pânico. Parecia não haver fim para aquilo, senão a loucura. Nenhuma esperança, senão perder a esperança.
           Quando a loucura finalmente dá uma trégua, Frank é sugado para o Reino dos Cenobitas, embora não abandone o quarto de sua avó. Ele está aqui e não aqui ao mesmo tempo, constantemente submetido às torturas dos Hierofantes, já assumindo a aparência de um deles. Fica, como mencionado no livro, preso dentro da parede, sem substância física, mas ouvindo e vendo o que se passa. A sua esperança surge quando o irmão, Rory, e a esposa, Julia, mudam-se para lá, sem imaginar que Frank habita os recônditos da casa.




           A narração de Hellraiser é fluida e faz diversas menções a nomes expressivos para a história do sadomasoquismo e o masoquismo, como Gilles de Rais (torturou e estuprou um grande número de crianças) e o Marquês de Sade (escreveu obras sobre a perversão sexual, sobre ter prazer na dor física, e originou o termo sadismo) e seu controverso romance 120 Dias em Sodoma, que foi adaptado em um filme de mesmo nome proibido em diversos países. Para os interessados pelo assunto, uma leitura curiosa, especialmente pelas introspecções de Frank no início.
           Quanto aos personagens, preste atenção em Julia. Ela torna-se importante aliada de Frank, que aproveita-se da excitação que causa na esposa do irmão para ganhar forma física e vislumbrar uma possibilidade de escapar (ah, além disso, você provavelmente irá detestá-la). Temos também o Rory (tadinho, viu?), que no filme vira Larry, e a Kirsty, que no filme é filha e enteada do casal, mas na obra literária é amiga de Rory que nutre por ele uma paixão secreta. Eu a adorei, aliás. A personagem mais interessante do livro depois dos Cenobitas.

A capa traseira do livro.
           Quanto ao Pinhead, ele não é descrito no livro. O líder dos Cenobitas ou Hierofantes aparece apenas no final na figura do Engenheiro, que faz as outras criaturas parecerem crianças com brincadeiras inofensivas. Pinhead é uma figura mítica nas adaptações cinematográficas, imortalizado por Douglas Bradley, mas que até onde pesquisei não aparece em nem um dos livros de Barker que mencionam os Cenobitas.

    

           Minha opinião sobre Hellraiser é: Se você está procurando por um horror fantástico para tirá-lo da zona de conforto, assim como foi comigo, a obra é uma ótima pedida. A trama não é muito elaborada e a história em si não foi extensamente desenvolvida, mas a leitura não deixa de ser interessante, especialmente pela existência dos Cenobitas. Com a narração fluida, você provavelmente terminará o livro antes de se dar conta.



           Sobre a edição: O livro possui 160 páginas com o jeitinho DarkSide de ser. O exterior do livro é acolchoado, envolvido em um material que lembra couro. Além disso, há relevos em toda a sua extensão, imitando os entalhes no cubo da Configuração de Lemarchand com perfeição – já pensou se você abre o livro e acessa a dimensão dos Cenobitas sem querer? Hahahaha As folhas são amareladas e grossas e os onze capítulos são divididos por páginas pretas com imagens das diferentes faces do cubo bem no centro. Além disso, há imagens do Pinhead no final – tanto rascunhos quanto fotos do filme. A folha de rosto merece uma menção especial porque é intrigante e eu ainda não consegui descobrir o que está sendo retratado. Encontrei poucos erros de revisão, embora não possa opinar sobre a tradução por não ser experiente na área. Nada me pareceu estranho, então pra mim estava ok. E, claro, vem com uma fitinha pra você marcar onde parou na leitura.



avaliação final
CAPA: 10
DIAGRAMAÇÃO: 10
REVISÃO: 8
NARRAÇÃO: 8
PERSONAGENS: 10 (já vale a nota só pelos Cenobitas, aliás).
ENREDO: 6
WORLDBUILDING: Não darei nota nesse quesito porque Barker não aprofundou-se no universo que criou para os Cenobitas.


Livros de Clive Barker com menção aos Cenobitas: The Hellbound Heart (Hellraiser – Renascido das Trevas no Brasil) || Weaveworld (Sem publicação no Brasil, dark fantasy de 1987) ||| The Scarlett Gospels (Sem publicação no Brasil, tem os cenobitas como protagonistas e foi publicado em 2011).
           





     

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