Resenha || A Guerra da Rainha Vermelha - Prince of Fools

Postado por - domingo, dezembro 27, 2015



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  Título da Série: A Guerra da Rainha Vermelha
  Título do Livro: Prince of Fools (1º livro)
  Autor: Mark Lawrence
  Editora/Tradução: DarkSide Books/Dalton Caldas
  Páginas: 420
  Ano de Publicação: 2015
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  Livro cedido em parceria com a editora.
  

Sinopse “Sou um mentiroso, um trapaceiro e um covarde, mas nunca, jamais, irei decepcionar um amigo. A menos que, para não decepcioná-lo, seja preciso demonstrar honestidade, jogo limpo ou bravura.” Assim se apresenta Jalan Kendeth, o neto da Rainha Vermelha e décimo na linha de sucessão ao trono. Um verdadeiro hedonista sem pretensões políticas, que se vê obrigado a abandonar sua boa vida após sofrer uma tentativa de assassinato. Para escapar, precisa se aliar a um perigoso guerreiro.
Mark Lawrence novamente cria um anti-herói irresistível. Por que mesmo estamos torcendo por eles? – é uma pergunta comum entre os cada vez mais numerosos leitores de suas aventuras. A resposta, certamente, está no talento com que o autor conduz seus personagens e narrativas. E desta vez, a violência e o rancor de Jorg Ancrath, da Trilogia dos Espinhos, é substituída pela astúcia e charme do Príncipe dos Tolos.
Em comum, as duas trilogias dividem o mesmo cenário, um universo pós-apocalíptico e de inspiração medieval. Se você não via a hora de voltar ao Império Destruído, esta é sua chance, com esta nova saga do universo expandido da Trilogia dos Espinhos.”

Após mais de dez dias de inatividade, enfim estou de volta. O Natal chegou e foi embora, 2016 está batendo à porta e dia 08 de janeiro o blog completa seu primeiro aninho de vida. Tem novidade por aí em parceria com a DarkSide Books pra comemorar, sugiro que se mantenham atentos à página do blog – prometo que não se arrependerão! Espero que tenham tido um 25 de Dezembro tão maravilhoso quanto o meu, aliás <3
Sem mais delongas, vamos à resenha. Prince of Fools conta uma história com dois protagonistas: Snorri ver Snagason é convencional, o típico herói das sagas de espada e magia cheio de honra e sensatez. Do outro lado você tem o anti-herói, Jalan Kendeth, aquele personagem que logo de cara começamos a odiar por ser tão egoísta e... bem, humano. Talvez por isso muita gente não tenha gostado de Jal: a nossa primeira impressão sobre ele é que não passa de um arrogantezinho cruel e vaidoso. Mas francamente, pare e olhe ao seu redor: é mais fácil encontrarmos um milhão de Jalan do que dois ou três Snorri. Ele é crível, real e cru. Vive para os próprios objetivos – geralmente algo entre deitar-se com o maior número possível de mulheres e beber até cair – e não pensa em muita coisa além de si mesmo.  Pelo menos no início da história.


Snorri, ele é um viking, um hauldr nórdico de Uuliskind, do outro lado do Gelo Mortal. Ele também afirma que é um Undoreth, a tribo dos Filhos do Martelo. Acaba na Cidade de Vermillion (onde Jalan mora num castelo com a avó, a Rainha Vermelha, e o pai, terceiro  filho desta e cardeal da cidade) após ser comprado como escravo. A Rainha Vermelha, no entanto não é adepta da escravidão: ela o convoca apenas para que ele explique a situação do Norte aos seus netos reais, tão preguiçosos e decadentes... Eles têm de se mexer, acordar para a vida. Principalmente um certo Jalan... E assim, temos a primeira menção à chave e aos temores que estão ameaçando o Império Destruído.
Por ironia do destino, Jalan e Snorri acabam unidos por um laço que não podem romper. Tão diferentes, e agora irremedievalmente juntos. E assim a jornada dos dois começa, ambos com os destinos interligados pela poderosa magia da Irmã Silenciosa – uma bruxa que, acima de tudo, quer impedir os servos do Rei Morto de encontrar a chave acima mencionada: ela é capaz de abrir os portões da própria Morte. Os dois então rumam para o Norte e embora Snorri pense ter um objetivo ao fazê-lo, enquanto para Jal tudo não passa de uma fuga de seus problemas, eles estão seguindo um destino anteriormente traçado. Pensam ter escolha, mas na verdade estão longe de tê-la, assim como não têm vontade própria.
A Vermelha e a Azul. Aí está a batalha de nosso tempo, Príncipe Jalan. A Dama Azul e a Rainha Vermelha. Sua avó quer um imperador, príncipe. Você sabia disso? Ela quer reunir o Império Destruído novamente... vedar todas as rachaduras, visíveis e invisíveis. Ela quer um imperador porque um homem assim... Bem, ele poderia girar a roda para trás. Ela quer isso, e a Dama Azul, não. ||| Skilfar, a völva



Minha opinião sobre Prince of Fools é: Eu com certeza adorei o livro. Quando terminei de lê-lo, pensei que daria quatro estrelas por não ter achado a trama muito boa. Mas relendo minhas anotações, definitivamente cinco estrelas são merecidas. A narração em primeira pessoa de Mark Lawrence me agradou demais e eu me senti mais próxima do Jal conforme descobria que ele não é um monstro babaca e egoísta como pareceu a príncipio. Aparentemente ele foi uma pessoa mimada demais e na hora de escolher entre si mesmo ou o mundo, ficou com a primeira opção. Ninguém se importava com ele: por que ele se importaria com os outros, então? Ele foi egoísta até o momento em que aprendeu o que é ter uma amizade de verdade. Aos poucos, segredos do seu passado são desvendados – e através das lembranças com seu tio Gayrus você percebe que ele nunca foi tão egoísta como pensa que é. O título de Príncipe dos Mentirosos – pelo menos assim entendo Prince of Fools – veio a calhar para esse membro da realeza que utiliza suas mentiras como a mais eficaz armadura na hora de se proteger do mundo.
Há humanidade em Jal. Você percebe isso quando ele decide não abandonar Snorri mesmo diante da morte iminente, quando utiliza seus recém-descobertos poderes em prol dos novos amigos já assumindo que ao fazê-lo não irá resistir, quando descobre a mentira que nutriu e na qual acreditou durante anos, quando mesmo sem dizer nos deixa entender que se importava com o tio – aparentemente a única pessoa que se importou de verdade com ele antes de a aventura começar. Foi isso que adorei no livro. Lawrence criou um personagem que todos odiaram, que muitos fecharam o livro desejando que morresse, mas só porque não conseguiram ler nas entrelinhas e acreditaram na mentira que o Jal mais sustentava.


Snorri é outro personagem fascinante. Eu disse lá em cima que ele é o herói típico, um arquétipo de bom moço cheio de músculos. As histórias que conta partem o seu coração, e você não acredita como alguém que tenha passado por tantas desgraças consegue continuar de pé. Essa é a natureza viking, aparentemente. E Snorri só pensa em se vingar, mesmo que para isso tenha de morrer – o que não é completamente ruim segundo suas crenças, pois o Ragnarök está chegando e ele será convocado à luta, de qualquer forma. Além disso, não há nada mais maravilhoso do que morrer em batalha, lutando por aquilo que você acredita. Odin recompensa guerreiros assim. 
Como vocês podem ver, eu amei o livro. Recomendo a todos que gostem do gênero dark fantasy, pois embora não seja uma obra-prima de tirar o fôlego, é uma leitura excitante. Descrever batalhas – quase inexistentes no livro, na verdade – certamente não é o forte de Lawrence, mas ele soube com ninguém me fazer refletir na leitura sempre que eu encontrava o lado mais sensível de Jal.  Os personagens centrais foram bem desenvolvidos: você acompanha não apenas a evolução individual dos dois, mas de sua amizade também. Outros personagens aparecem, mas não são tão explorados. Não cheguei a ler a Trilogia dos Espinhos, mas há muitas referências à série, principalmente quanto ao Jorg Ancrath. O universo do livro não foi esmiuçado, mas provavelmente porque isso já foi feito na trilogia anterior, então não culpo o autor.
Enfim. Mark Lawrence é assim: ou você ama, ou você odeia. As opiniões são tão divergentes que o conselho mais sábio que posso dar é que leia Prince of Fools sem achar que irá se encantar ou decepcionar. Leia sem compromisso, e depois venha aqui dizer de qual time você faz parte.



Sobre a edição: 409 páginas que só não li em menos tempo por conta da correria típica do fim de ano. A capa é linda e, claro, dura. Folhas amareladas, fitinha vermelha para marcar a leitura, espaçamento e tamanho da fonte confortáveis à leitura... Apenas uma coisa me confundiu: entre alguns capítulos há uma página preta com o brasão do livro no centro. Não entendi o propósito e me pareceu que essas páginas foram dispostas de modo aleatório. Mas fora isso e alguns erros de revisão, ficou tudo ok. Como leio muitas reclamações da tradução da DarkSide em grupos que participo, tenho lido os livros da editora com atenção, mas juro a vocês que não encontro nada estranho. Enfim: uma edição sem defeitos relevantes.




[assunto para outro post] Encontrei algumas semelhanças com As Crônicas de Gelo e Fogo: nada que indique plágio, e sim inspiração. O Rei Morto, os natimortos, os afogados, o Gelo Mortal, a Irmã Silenciosa que parece uma certa Sacerdotisa Vermelha... Enfim. A Guerra dos Tronos é um dos livros favoritos de Mark Lawrence, como ele disse em nossa entrevista, então nada de anormal.


Livros da série: Prince of Fools || The Liar's Key (publicada este ano no exterior) || The Wheel of Osheim (publicação prevista para 2016 no exterior).
           





     

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