Resenha || Batman: Arkham Knight e a narração contundente de Marv Wolfman

Postado por - sábado, abril 16, 2016


  Título do Livro: Batman: Arkham Knight
  Autor: Marv Wolfman
  Editora/Tradução: DarkSide Books/Alexandre Callari
  Páginas: 272
  Ano de Publicação: 2016
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  Livro cedido em parceria com a editora.
  


Sinopse “Dois inimigos fatais surgem para desafiar o Homem-Morcego. O primeiro é o misterioso Cavaleiro de Arkham – um assassino com habilidades e armadura tão semelhantes às do herói mascarado que é quase como se Batman enfrentasse um clone. E para desequilibrar ainda mais essa luta, o segundo inimigo surge do nada. Mas ele não estava morto? O Coringa está de volta... ou é só um delírio? Descubra nas páginas de BATMAN: ARKHAM KNIGHT. Pronto para jogar?”


Batman. Bruce Wayne. Cruzado Encapuzado. Homem-Morcego. Demônio. Ou anjo? Já foi um Deus. Justo - e um pouco insano. Inimigo do crime e da corrupção. Combate o Mal, mas regido pelas próprias leis. Em Arkham Knight, pode chegar a ser um tanto... E com toda a certeza é a maior vítima.


Você não entende, Alfred? Estou com medo pela primeira vez, desde que vesti a máscara, de ter sido derrotado. Há muito a ser feito e não tenho tempo de fazer tudo.

Gotham acordou num pesadelo. Após os acontecimentos de Arkham City e a morte do Coringa, a cidade pensa que finalmente viverá um pequeno período de paz. Mas isso é sonhador demais, né? E de fato não passa de um sonho. Agora que o Palhaço do Crime está morto, alguém precisa assumir seu lugar. A disputa é acirrada e destrói um pouco de tudo no caminho. Não bastasse a extinção iminente da cidade que jurou proteger, Batman ainda precisa lidar com os fantasmas do passado e do futuro também. É uma época tenebrosa para ser o Homem-Morcego.
Essa obra, que é a novelização fiel da trama principal do jogo (deixando de fora as missões secundárias), mostra um Bruce Wayne extremamente fragilizado que precisa enfrentar mercenários, metade da frota de vilões de Gotham City e os impulsos provocados pelo sangue do Coringa que circula em suas veias. Além disso, Batman também está atormentado com um episódio do passado que parece prestes a se repetir, e talvez tenha perdido a amizade de um valoroso aliado. Com o auxílio de velhos amigos, uma improvável parceria e a força simbólica de policiais que se permitiram ficar para trás, cabe a ele restaurar o mínimo de normalidade à Gotham City e acabar com a ameaça do Espantalho de liberar sua toxina do medo e enlouquecer os cidadãos. Como se tudo isso não fosse suficiente, um novo vilão surge e parece conhecer todos os detalhes da vida do herói, especialmente seus pontos fracos, nutrindo por ele um rancor sem igual. Mesmo com todas as ameaças à sua vida, no entanto, o foco do Morcego continua sendo manter Gotham City sã em meio à insanidade dos vilões que querem destrui-la.


Acho que essas crianças estão crescendo sabendo um pouco demais sobre o quanto a humanidade pode ser podre. Sem perceberem que a vida não precisa ser uma latrina, que isso não deveria ser normal. Para mim, esse é o verdadeiro crime.


Antes de tudo, você não precisa ser um expert nas hqs da DC para entender esse livro. Ele é uma história fechada: consegui me situar no enredo mesmo sem ter jogado qualquer um dos Arkham anteriores. O que você precisar saber, Marv Wolfman introduz nas falas dos personagens ou por meio de flashbacks. É assim que você sabe, por exemplo, o que houve com o segundo Robin e com Barbara Gordon. Mesmo aqueles mais conhecidos recebem uma pequena apresentação, como James Gordon, Alfred Pennyworth, Lucius Fox, Asa NoturnaBill McKean, Espantalho, Hera Venenosa, Pinguim, Duas-Caras, AlerquinaCoringa, Arkham Night (depois que sua identidade é revelada) e até mesmo Bruce Wayne, cujo passado é mostrado por meio de lembranças do próprio Bruce ou de outros personagens. Eles não são exatamente aprofundados, à exceção do protagonista, e isso não me incomodou nem um pouco. De modo geral, todos são bem conhecidos, não? A profundidade não foi exatamente necessária e cada um ficou marcado do seu jeito, não ficando relegado à eles o papel de meros coadjuvantes que nem fazem diferença na história.
Quanto à narração de Wolfman, ela é tipo um murro. Seca, sem poesia, sem descrições detalhadas, sem nada. É reta, cruel, latente e contundente. Necessária para a história, porque assim não há enrolações e torna tudo bem mais dinâmico e rápido, mas sem ser apressado. Não sei se funcionará para todos os leitores, mas se agradou a mim, que sou fã de narrativas poéticas como Patrick Rothfuss, certamente agradará você.

Finalizando, eu acho que poderia dizer que este livro foi escrito para nós, que nos sentimos atraídos por personagens de HQS, mas não lemos os quadrinhos nem jogamos nada - no meu caso, justamente porque prefiro livros. Casou perfeitamente! Uniu um personagem que amo desde Liga da Justiça: Sem Limites, com a história de um jogo que eu ouvia falar loucamente, mas nunca parei para jogar. Sem contar as referências que fiquei mega feliz de ter conseguido captar.
Por mim bem poderia existir uma saga da série Arkham. Toda novelizada por Marv Wolfman. Eu leria tudo, amigos. E mais de uma vez. Contemplar o começo de tudo nesse arco? Com certeza quero! Por isso irei atrás dos jogos. Mas Wolfman, caso você esteja lendo isso, fica a dica, viu? Uma novelização é sempre muito bem-vinda para quem prefere livros. 


(...) “Não. Afaste-se.” Ele deu mais um passo para trás. “Morra, maldito!” Mais um passo. “Pare. Fique longe.”
Mas Batman não parou.
“Não. Morra!” implorou.
Mas Batman não morreu.
Eu sou a vingança”, falou o Homem-Morcego. “Eu sou a noite.
Sua voz ficou mais rouca. “Eu sou Batman!”, rugiu ele.



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