Resenha || Filhos do Éden: Paraíso Perdido # Folheando

Postado por - sábado, maio 21, 2016


  Título da Série: Filhos do Éden
  Título do Livro: Paraíso Perdido (3º livro)
  Autor: Eduardo Spohr
  Editora: Verus
  Páginas: 560
  Ano de Publicação: 2015
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  Outras resenhas da série: Herdeiros de Atlântida (1º livro) || Anjos da Morte (2º livro)

Sinopse No princípio, Deus criou a luz, as galáxias e os seres vivos, partindo em seguida para o eterno descanso. Os arcanjos tomaram o controle do céu, e os sentinelas, um coro inferior de alados, assumiram a província da terra. Relegados ao paraíso, ordenados a servir, não a governar, os arcanjos invejaram a espécie humana, então Lúcifer, a Estrela da Manhã, convenceu seu irmão — Miguel, o Príncipe dos Anjos — a destruir cada homem e cada mulher no planeta. Os sentinelas se opuseram a eles, foram perseguidos e seu líder, Metatron, arrastado à prisão, para de lá finalmente escapar, agora que o Apocalipse se anuncia. Dos calabouços celestes surgiu o boato de que, enlouquecido, ele traçara um plano secreto, descobrindo um jeito de retomar seu santuário perdido, tornando-se o único e soberano deus sobre o mundo. Antes da Batalha do Armagedon, antes que o sétimo dia encontre seu fim, dois antigos aliados, Lúcifer e Miguel, atuais adversários, se deparam com uma nova ameaça — uma que já consideravam vencida: a perpétua luta entre o sagrado e o profano, entre os arcanjos e os sentinelas, que novamente, e pela última vez, se baterão pelo domínio da terra, agora e para sempre.

Contém spoilers do livro Anjos da Morte.


Eis o capítulo final da saga Filhos do Éden, onde todas as perguntas terão suas respostas e onde uma enormidade de plot-twists irão ocorrer.


O que eu quero dizer é que a luta contra as trevas não é exclusiva dos anjos, dos heróis ou dos deuses. Essa batalha é universal, verdadeira e constante. Do mesmo modo que nós, no céu, em Asgard ou no inferno, enfrentamos dragões e demônios, duelamos contra ogros, raptores e ecaloths, os homens também travam seus próprios combates, lutas tão ou mais perigosas, que exigem igual dose de coragem. Os heróis não existem apenas nas lendas, nas páginas dos livros ou nas telas de cinema. O problema é que a maioria só enxerga essas coisas quando é tarde demais, quando é lançada à aventura, muitas vezes contra vontade, como eu fui, como você foi, como minha mãe foi. E nenhuma dessas jornadas é menos importante, menos difícil ou menos heroica.

Vale ressaltar que o livro é divido em três partes. Na primeira, a história continua logo após o fim de Anjos da Morte, onde Kaira mergulha no rio Oceanus (este rio conecta diversas dimensões) para tentar encontrar Denyel. Ela, junto com Urakin, acaba sendo levada a Asgard, porém Ismael desaparece. Como é mostrado no fim de Anjos da Morte, Denyel também fora transportado para lá.
Depois de acordar, Kaira, ainda desorientada pela viagem, acaba sendo surpreendida por diversos ogros. Ela e Urakin estavam claramente em desvantagem, quando (adivinhem só?!) Denyel, junto com um esquadrão de Valquírias, os resgata. Após o ocorrido, Kaira vê que seu amigo está mudado. Após uma conversa com Sif, Cabelos de Trigo, o grupo descobre que não há um jeito de retornar à Haled. O único modo seria por Bifrost, mas a fortaleza onde ela se encontra fora tomada pelo líder dos gigantes, Thrymr. Durante a invasão à fortaleza, o operador da ponte, Heimdall também foi capturado e preso. 
Então, o primeiro terço do livro é focado na busca do grupo por meios de tomar a fortaleza e assim, conseguir retornar à Terra.

É nessas horas que um guerreiro percebe que seu único elo com o mundo são os comparsas, os companheiros que lutam a seu lado, e entende que não há nada mais importante que isso, que o Universo é um delírio, um sonho uma paisagem encardida, se não houver os amigos.


Na segunda parte, iremos seguir Ablon (protagonista da Batalha do Apocalipse) e Ishtar, em uma missão anterior ao grande dilúvio. Essa missão era de derrotar os últimos sentinelas. A Terra antes do cataclisma era diferente do que é hoje, “dois tipos” de humanos existiam, os atlantes e os enoquianos. Também mostra o que levou Ablon a se opor a tirania dos Arcanjos.
Nesse terço, Spohr aproveitou para criar personagens que serão importantes para o desfecho da história. Aqui, pude comprovar minhas dúvidas em relação as referências à H.P. Lovecraft, que já apareceram no segundo livro, mas de forma discreta. Nesse terceiro livro, existem mais referências e essas são bem mais claras. Em certo ponto da história, ele chega a uma espécie de peixes humanoides que eram servos de Dagon.

Eis mais um indício, ele pensou, uma prova de que ninguém, por mais poderoso que seja, é uma ilha, um organismo autônomo. Somos todos parte de uma trama, de uma rede cósmica invisível e energética que compõe o universo, e devemos nos conectar a ela.

Por fim, a terceira e última parte (a melhor na minha opinião) dá continuidade à história principal, onde diversas revelações são feitas e é onde os plot-twists ocorrem (sério, é muita coisa que vai fazer sua cabeça explodir)! O autor também aproveitou para introduzir a mitologia grega e a celta. As duas foram bem desenvolvidas, mas não chegaram a interferir tanto na história como a nórdica.
Então, agora que já fiz um breve apanhado da história, vamos às considerações finais...



Confesso que acabei me decepcionando um pouco com o início do livro, eu tinha quase certeza que, após o final de Anjos da Morte (onde Denyel acorda em Asgard) iriam-se abrir praticamente infinitas possiblidades de histórias para a trama, afinal, se a mitologia nórdica foi introduzida abruptamente, o que impediria o autor de inserir outras diversas mitologias, apenas para encher lingüiça? Até certo momento (e coloquem quase 200 páginas nisso), foi exatamente o que eu estava sentindo, toda a parte do “resgate” e da tentativa de retornar a Haled pareciam apenas uma dificuldade a mais, imposta pelo autor, apenas para “ganhar tempo”, este recurso é muito usado nas mesas de RPG, onde Eduardo já confirmou que serviram de inspiração para a trilogia. Apesar de todo o receio quanto a introdução da mitologia nórdica, ela é fundamental para o desfecho da história.


Pobres homens. Tolos, surdos e ignorantes, arraigados a uma tradição, incapazes de escutar o que transcendia a ela, impossibilitados de alcançar a verdade.

Com o tempo, acabei me apegando aos novos personagens e me acostumando aos nomes impronunciáveis (sim, são MUITOS nomes que eu não faço a mínima ideia de como pronunciar hahaha) e vi que eu estava procurando por uma narrativa mais pesada, tal qual a do segundo livro. O que de fato não faz parte da identidade da série, se você analisá-la por completo. O ritmo desse livro é bastante parecido com Herdeiros de Atlântida, onde acompanhamos nossos queridos personagens numa história em ritmo de aventura.
Um ponto positivo são as batalhas, as descrições são muito boas, Eduardo consegue explorar diversos sentidos durantes as lutas, desde a visão, até o olfato e a audição. Elas não tão grandiosas como as da Batalha do Apocalipse, mas certamente estão épicas!

"Era o que eu mais temia”, falara-lhe outro, numa cama de hospital. “Quem dera eu pudesse continuar combatendo.” E eles estavam certos, à sua maneira. Quem não quer viver, no fim das contas? Somos soldados, divagou. Todos nós. Soldados. E a vida é uma guerra. Vencer ou perder não importa. O que vale é lutar.”

As descrições e a narrativa seguem muito boas, como durante toda a série. Vale ressaltar que o autor conseguiu desenvolver muito bem os novos personagens a ponto de você achar que eles estão lá desde o início.

O mundo, reparou a Centelha, quando encarado a partir da órbita, não diferia tanto do mesmo planeta avistado milhões de anos antes. De cima, ontem e hoje, não se viam divisões políticas, não se enxergavam nações ou países, apenas a Terra, nua e crua, sem fronteiras culturais, como era e sempre fora ao longo dos séculos.

Mas para mim, o ponto mais alto fica para a qualidade da escrita. Eduardo Spohr está em seu auge (tomara que isso não seja verdade e que ele esteja sempre melhorando hehe), existem passagens no livro que me fizeram refletir sobre diversos conceitos, não só relacionados a mim, mas pela humanidade como um todo.

Na Haled (plano físico terrestre), nada é perfeitamente claro ou perfeitamente escuro, como se sucede em outros planos de existência. Aqui, a dualidade está presente em tudo, e são dois aspectos que se completam – não há dia sem noite, vida sem morte ou bem sem mal.

Por fim, posso dizer que o autor conseguiu dar um excelente desfecho para a trilogia. Tudo se encaixa de maneira magistral (temos até uma pequena revelação quanto À Batalha do Apocalipse), existem sim algumas perguntas sem respostas, mas Spohr disse que foi proposital, afinal, cada pessoa pode ter tido uma interpretação diferente sobre a história. Paraíso Perdido pode não ter superado Anjos da Morte, mas ainda assim é um excelente livro.
Sobre a edição: o livro mantém a qualidade de diagramação e gramatura do papel idêntica a dos outros livros da trilogia. A arte de capa é mais uma vez muito bonita e nos mostra uma cena que ocorre durante a história.



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