Resenha || O Aprendiz de Assassino – ou a saga de um bastardo real

Postado por - domingo, julho 03, 2016



  Título da Série: Saga do Assassino
  Título do Livro: O Aprendiz de Assassino
  Autor: Robin Hobb
  Editora/Tradução: LeYa/Orlando Moreira
  Páginas: 416
  Ano de Publicação: 2014
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Sinopse O jovem Fitz é o filho bastardo do nobre Príncipe Cavalaria e foi criado pelo cocheiro de seu pai, à sombra da corte real. Ele é tratado como um penetra por todos na realeza, com exceção do Rei Sagaz, que faz com que ele seja secretamente treinado na arte do assassinato. Porque nas veias de Fitz corre a mágica do Talento – e o conhecimento obscuro de um garoto criado em um estábulo, entre cães, e rejeitado por sua família. Quando assaltantes bárbaros invadem a costa, Fitz está se tornando um homem. Logo ele enfrentará sua primeira missão, perigosa e que despedaçará sua alma. E embora alguns o vejam como uma ameaça ao trono, ele pode ser a chave para a sobrevivência do reino.

Oi, gente. Celly aqui – pelo menos no começo do post. Porque hoje ele é inteiro do Timóteo de Rezende Potin, um leitor que se disponibilizou a resenhar um livro que leu recentemente. Sim, mais uma postagem da coluna Você no MeL. Se você tem interesse em aparecer aqui, ou se quer fazer parte do bog escrevendo colunas/resenhas, basta enviar um e-mail para melivrando@live.com, ok? Agora vamos à resenha do Timóteo.


“― Conheci-o por toda a vida. Eu… trabalhei com ele. Muitas vezes. A mão e a luva, como diz aquele provérbio.

― E você era a mão ou a luva?

Não importava o quão rude eu fosse, Breu se recusava a ficar zangado.

― A mão ― disse ele, depois de uma breve consideração. ― A mão que se move invisível, oculta pela luva de veludo da diplomacia.

― O que você quer dizer? ― fiquei intrigado, meio a contragosto.

― Há certas coisas que podem ser feitas ― Breu limpou a garganta. ― Coisas podem acontecer, tornando a diplomacia mais fácil. Ou tornando um grupo mais disposto a negociar. Coisas podem acontecer...”

O dia é descrito como moribundo. Um homem conduz um menino ao forte da cidade. A mão do homem na mão do menino é dura, rude, porém quente e sem maldade. É implacável. Como a chuva cinzenta e gelada que torna brilhante a neve no caminho de cascalho pelo qual eles seguem. Chegando ao forte, o homem que conduz o garoto tem uma conversa rápida com um dos oficiais, argumentando que não irá mais trabalhar para cuidar desse garoto e que, se o pai quiser que ele coma, que ele mesmo lhe dê de comer. Dito isso, deixa o menino e volta para sua casa.

O PROTAGONISTA, FITZ CAVALARIA.

Essa é a primeira lembrança de nosso protagonista e dono da voz que narra em primeira pessoa a história, que por total falta de um nome melhor, acabou sendo chamado de Fitz. Este é um termo que deriva do latim filius, “filho de”, usado comumente para designar bastardos, que é justamente a posição do nosso Fitz. Mas não qualquer bastardo. Um bastardo real. Fitz é fruto da união do Príncipe Herdeiro, Cavalaria, com uma camponesa, filha do homem que leva Fitz ao forte, que ele conheceu durante uma campanha. A primeira característica que chama atenção no livro talvez já chamou a sua atenção na frase anterior, caro leitor. Sim, o nome do príncipe é “Cavalaria”. Os filhos da linhagem real são nomeados de acordo com a personalidade que deve ser moldada neles, fazendo com que os nomes sejam, em sua maioria, adjetivos. Então prepare-se para ver nomes como “Tomador”, “Veracidade”, “Sagaz”, “Paciência” no decorrer da história. Os ritos populares até dizem que os nomes seriam dados por magia e que, devido a isso, seria impossível para a pessoa trair seu próprio nome e desenvolver outra personalidade, mas infelizmente isso não é tão verdade assim.
Aqui ainda cabe uma pequena observação sobre o nome do pai do nosso Fitz. Eu disse acima que os nomes eram características, enquanto o nome do nosso Cavalaria é um substantivo. Ele é um pouco estranho mesmo. Aqui a ideia que deve ser associada é aquela da Cavalaria medieval e o código de conduta que eles deveriam seguir. Basicamente os ideais encontrados em Cavalaria podem ser resumidos em coragem, lealdade e generosidade.
Cavalaria, príncipe herdeiro dos Seis Ducados, famoso por sua diplomacia, liderança e conduta impecável. Fitz foi, talvez, o único fracasso que ele obteve na vida. E que fracasso monstruoso esse veio a se tornar. Com a chegada de Fitz e a confirmação de que ele realmente se tratava de um bastardo real, Cavalaria, para tentar preservar a honra de sua esposa, a Dama Paciência, abdica de sua posição como Herdeiro e abandona a corte, indo viver exilado no interior do reino.

“E assim cheguei a Torre do Cervo, o filho único e bastardo de um homem que nunca viria a conhecer. O Príncipe Veracidade tornou-se Príncipe Herdeiro, e o Príncipe Majestoso subiu um degrau na linha de sucessão. Se tudo o que eu tivesse feito na vida fosse ter nascido e sido descoberto, ainda assim teria deixado uma marca em toda aquela terra, para todo o sempre. Cresci sem pai, sem mãe, numa corte onde todos me conheciam como um divisor de águas. E um divisor de águas me tornei.”

Basicamente é isso o que ocorre para acender o estopim da nossa história. Nesse primeiro livro, vemos a infância e adolescência de Fitz na Torre do Cervo, a Fortaleza de onde a dinastia dos Visionários governa os Seis Ducados. A história de Fitz não é a do escolhido, do herói da profecia (ao menos não nos é apresentado nada nesse primeiro livro, e pelo tom da história, não creio que virá a ser o caso). Essa é a história de um bastardo, órfão e acima de tudo, um garoto solitário. Por ser um bastardo, ele não se encaixa na família real, e por ser da família real, ele não se encaixa com o povo. Uma vida meio sofrida, não?
O primeiro mentor de Fitz quando ele chega à Torre do Cervo é Bronco, mestre dos estábulos. Bronco é o mais perto de uma figura paterna que Fitz chega a conhecer, apesar de na maioria das vezes passar longe disso. Com Bronco Fitz aprende a cuidar dos animais e com o contato com os animais ele acaba descobrindo ser um usuário da Manha. E com essa deixa, chega a hora de falar um pouquinho sobre o Sistema de Magia do mundo criado por Robin Hobb. Ele se divide basicamente entre o que é chamado de Talento e Manha.
Talento é uma certa capacidade telepática que permite basicamente duas coisas: se comunicar a distância com outros usuários e influenciar os pensamentos dos outros. Para se comunicar, ambos os usuários precisam ser treinados no Talento, já para influenciar, não é necessário que o influenciado seja Talentoso. Qualquer pessoa pode ser treinada no Talento, porém algumas se familiarizam melhor com ele e se desenvolvem bem mais rápido. A Manha é de certa forma uma habilidade similar, porém ela cria um vínculo telepático não com pessoas, mas com animais. Não sabemos muito do total potencial da Manha nesse livro porque o único usuário dela que conhecemos é o próprio Fitz, e ele não tem ela totalmente desenvolvida (aparentemente, visto que não temos parâmetros). Além disso, a Manha é vista com maus olhos pela população e seus usuários são geralmente perseguidos e mortos.

“― A antiga Manha ― começou lentamente. Seu rosto tornou-se sombrio e ele olhou para baixo, como se se lembrasse de um velho pecado. ― É o poder do sangue animal, da mesma forma que o Talento vem da linhagem dos reis. Começa como uma bênção, dando a você a língua dos animais. Mas depois se apodera de você e te puxa para baixo, faz de você um animal como os outros.”
BREU E FITZ.

Outro mentor de Fitz na Torre do Cervo é Breu, e quando Fitz conhece Breu é que temos a sensação de que o livro realmente começou. É um personagem muito fácil de se gostar. Não vou dizer muito sobre ele porque ele acaba sendo um personagem um tanto enigmático, mas quando virem esse nome durante a leitura, se animem. E, claro, Breu é quem vai treinar Fitz na sua futura função, que como o próprio título do livro sugere, é se tornar um assassino a serviço do rei.
E falando em personagens enigmáticos, não posso deixar de fazer uma menção a Bobo. Bobo é um personagem curiosíssimo nesse livro. Para começar, a primeira característica que temos dele é que ele é albino, ou pelo menos, extremamente pálido. A segunda característica é quase uma ausência de característica. Bobo é andrógeno. É dito que ninguém sabe o sexo de Bobo e que isso é inclusive matéria de debates dentro da corte, e Bobo simplesmente se recusa a falar sobre isso. Pra completar a lista de características curiosas, Bobo aparentemente possui algum poder de prever o futuro, isso faz com que muitas de suas aparições deixem o leitor com uma pulga atrás da orelha.
E pra completar os personagens que chamam atenção nesse livro, os três membros restantes da família real. Rei Sagaz, Príncipe Veracidade e Príncipe Majestoso. Mais uma vez, os nomes entregam a personalidade de cada um. Fique de olho neles, principalmente em Veracidade, que é provavelmente o personagem mais fácil de se gostar no livro inteiro.
Talvez tenha notado a ausência de personagens femininas nessa lista acima. Infelizmente, esse livro peca um pouco nisso, na minha opinião. Até temos algumas personagens femininas de algum destaque, principalmente na segunda metade do livro, mas nenhuma que esteja entre as personagens que eu listaria como principais desse livro. Isso é uma mudança que eu espero para os próximos.
Apesar de não ser um “page turner”, esse livro me deixou extremamente satisfeito ao terminar de ler e até um pouco chateado por ter deixado ele três anos parado dentro do armário. Talvez se você exige um livro com uma pegada mais acelerada, com grandes batalhas acontecendo e o mundo sendo salvo do mal, esse livro não seja a melhor indicação. Porém, se você não se incomoda de uma história que é levada com um pouco mais de calma, tendo seu foco mais na relação entre os personagens do que na trama em si e nas reviravoltas, eu diria que esse é “O livro” que você está procurando.


FOTO RETIRADA DO BLOG HOOKEDBLAN.


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Esta resenha foi escrita por Timóteo de Rezende Potin.


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