Resenha || Império de Diamante: quando um livro surpreende você

Postado por - domingo, agosto 07, 2016




  Título da Série: Reinos Eternos
  Título do Livro: Império de Diamante (1º livro)
  Autor: J. M. Beraldo
  Editora: Draco
  Páginas: 312
  Ano de Publicação: 2015
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  Livro cedido em parceria com o autor.

Sinopse Conheça o Império de Diamante : um reino eterno que conquistou e suprimiu várias culturas de Myambe, o continente original da Humanidade. Protegido por um exército com poderes incríveis, o Imperador governa com sabedoria e há quem diga que possa conceder talentos sobrenaturais a quem desejar. Mas agora sua decadência parece inevitável. Vinte anos após a última conquista, ninguém sabe do Imperador. O governo lentamente abandona as províncias mais distantes à mercê de uma seca avassaladora. O povo implora por socorro, mas não há ajuda. Em meio à crise, quatro indivíduos com objetivos diferentes acabam envolvidos na trama que pode revelar os segredos deste homem tão poderoso. Neste mundo fantástico baseado nas culturas africanas, o autor J. M. Beraldo explora a construção da História e da crença religiosa através da trajetória desse quarteto. Forçados a depender uns dos outros para alcançar seus propósitos, qual será o papel desse inusitado grupo na história do Império de Diamante?

Demorei um pouquinho a ler Império de Diamante, confesso. Tentei ler duas vezes, e fiquei frustrada porque não entendia o motivo de não conseguir engrenar na leitura quando tanta gente elogiava o livro. Hoje sei que, ao não conseguir ler um ano atrás, era provavelmente porque não estava em uma época legal. Prova que fiz a escolha certa em deixar a obra de lado por um tempo: talvez, me forçando a ler naquele momento, eu não gostasse tanto quanto quando li recentemente.
Império de Diamante é um livro que se estivesse entre as leituras obrigatórias de nossas crianças, certamente faria com que se apaixonasse por fantasia nacional. Nossa terra não tem apenas “palmeiras onde canta o sabiá”, tem também autores que estão escondidos aqui e acolá, apenas aguardando por uma chance de mostrar a que vieram. J. M. Beraldo é um deles.


O primeiro diferencial do livro de J. M. Beraldo é o cenário. Nada de continente europeu, norte-americano ou mesmo brasileiro: a obra se passa em Myambe, um lugar inspirado no continente africano. O enredo gira em torno do Império de Diamante em si, encabeçado pelo Imperador de Diamante, o “deus-vivo” e autoritário que iniciou sua campanha há milênios, extinguindo as demais culturas e religiões para que apenas a sua prevalecesse. Aqui eu senti um pouquinho de influência da época mais obscura da Igreja Católica: o Império consome aos poucos os quatro cantos do continente, suprimindo qualquer religião que não seja a sua, exterminando quem não aceita o Imperador como seu único deus sob a justificativa de heresia.


“Os estudiosos de todos os demais continentes confirmavam que a maioria das civilizações humanas que floresceram em outras terras eram provenientes de Myambe. Reinos exilados durante as Inquisições do Império de Diamante ao longo dos séculos. Mas, na cultura local, não passavam de covardes que preferiam a fuga à luta. Uma lenda local dizia que os homens dos outros continentes eram brancos porque fugiram de medo.” (p. 29)

O primeiro personagem que vislumbramos na obra é Rais Kasim, um mercenário que está retornando ao seu lugar de origem após um exílio, com seus companheiros mercenários: Inessa, Anton e Vinko. No primeiro capítulo presenciamos uma batalha e vemos que Kasim feriu mortalmente o Imperador de Diamante. A partir daí a terra começa a morrer, uma seca assola Myambe, o Império entra em colapso e a ameaça de extinção dessa força milenar torna-se uma nuvem que paira sob o continente inteiro. Tudo culpa do mercenário, de certo modo. Nas palavras do próprio livro (p. 299): “(...) com um golpe de desespero, Kasim havia condenado milhares de pessoas”.

“A vida é feita de ciclos que sempre voltam ao mesmo ponto. Assim como é perfeito um diamante, também é a eternidade. Um ciclo começou com você. Agora deve terminar com você.”

Além de Kasim, temos aquele que para mim é o melhor personagem: Adisa, apenas quinze anos, sacerdote que consegue compreender qualquer língua, seja escrita ou falada, ainda que nunca a tenha lido/ouvido antes. Esse dom é mais importante do que você imagina, e achei fenomenal que um garoto tão novo carregasse nas costas o peso dessa responsabilidade.
Outros personagens importantes são Mukhtar Marid, um guerreiro seguidor da religião Estrela da Manhã que lidera um grupo de rebeldes contra o Império, e Zaim Adoud, governante de uma província afastada do centro de controle do Império de Diamante, sendo negligenciada pelo Imperador e seus sacerdotes.

DA ESQUERDA PARA A DIREITA: MUKHTAR MARID, ADISA, RAIS KASIM E ZAIM ADOUD.

A geografia do lugar em que se passa o livro foi muito bem explorada. Eu, que sou alguém não muito fã de descrições extensas, gostaria que Beraldo tivesse prolongado as suas. Veja bem: estou acostumada a obras que se passam em cenários europeus, numa época feudal, com todos os seus personagens sempre tendo a mesma descrição – talvez com uma cicatriz a mais ali, faltando um olho aqui. Império de Diamante, entretanto, apresenta um cenário e vários personagens que para mim são novidades. Cada descrição foi muito bem vinda, aguçou minha imaginação e pôs minha mente para trabalhar com satisfação.
Além disso, também gostei da diversidade no aspecto fantasia: as habilidades sobrenaturais dos guerreiros primogênitos do Imperador são as que você nota logo de cara, mas também há espaço para oráculos – e céus, como eu gosto do conceito geral dessas pessoas. Beraldo se atentou a outros detalhes: esse é um livro cujos personagens têm, majoritariamente, “diferentes tonalidades de peles escura”. Inessa, uma personagem com características europeias, não passa despercebida, tampouco é venerada como o símbolo da beleza. Afinal, eis aí um conceito relativo, não? Inessa não é bela em Myambe: ela é bizarra. O autor dedicou atenção a esse ponto.

“Alguém como Inessa, de pele alva, cabelos loiros, quase brancos, e olhos verdes era não só uma raridade, mas tão exótico quanto alguns dos animais raros trazidos de outras terras. Apesar de não falar, Kasim preocupava-se que alguém tentasse sequestra-la para vender a algum nobre em busca de algo diferente para destacar-se dos demais.”


Eu poderia dizer, de modo sucinto, que esse é um livro recomendado a todos os fãs de fantasia. Mas vou também fazer uma observação: se você gosta de As Crônicas de Gelo e Fogo, A Saga do Assassino, A Roda do Tempo, A Crônica do Matador do Rei e O Senhor dos Anéis, você deve ler Império de Diamante. Por quê? Bem, não citei as sagas acima por se assemelharem à obra de J. M. Beraldo. O fato é: se você aprecia qualquer uma delas, com certeza é fã de uma boa fantasia e se interessa muito pelo tema. Império de Diamante é uma fantasia ótima, nacional e ainda irá expandir seus horizontes por fugir daquilo que mais encontramos nas livrarias e em nossas próprias estantes. Será uma experiência maravilhosa.
A edição da Editora Draco deixou escapar alguns erros de revisão, e a diagramação foi novidade para mim, mas nada que atrapalhasse a leitura e tirasse o brilho da trama excelente. Leia o quanto antes!



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