Resenha || Caminho das Sombras, a fantástica estreia de Brent Weeks

Postado por - terça-feira, setembro 06, 2016




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Caminho das sombras
  Título da Série: Anjo da Noite
  Título do Livro: Caminho das Sombras
  Autor: Brent Weeks
  Editora/Tradução: Arqueiro/Fernanda Abreu
  Páginas: 432
  Ano de Publicação: 2016
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  Livro cedido em parceria com a editora.
  

Sinopse Para Durzo Blint, matar é uma arte... e ele é o artista mais talentoso da cidade. Temido por muitos, Durzo é uma lenda viva com as mãos manchadas de sangue e nenhuma culpa pelas vítimas que deixa pelo caminho. Esse mundo sombrio também não é novidade para o jovem Azoth. Sobrevivendo entre becos sujos, ele aprendeu que a esperança é uma piada. Pelas regras das guildas, crianças são agredidas e surradas todos os dias. Tentar contestar essa realidade seria um risco alto demais. Mas quando a morte se torna questão de tempo para ele e seus amigos, Azoth se vê forçado a vencer o medo e agarrar a chance de virar um derramador, um assassino. Ele precisa se tornar discípulo de Durzo Blint. Para ser aceito, o garoto abandona sua antiga vida e abraça uma nova identidade. Ao se tornar Kylar Stern, ele aprenderá a transitar no mundo dos nobres, sobreviver às magias de seus inimigos e cultivar uma amizade muito especial- a da escuridão.



Caminho das Sombras é o primeiro livro da trilogia Anjo da Noite. O livro se passa a oeste de Midcyru (acesse o mapa clicando aqui), num reino chamado Cenária, onde nosso protagonista nasceu e cresceu. Azoth era apenas um garoto das Tocas, um lugar medíocre e imundo afastado da parte civilizada de Cenária. Quando o vemos pela primeira vez, ele tem onze anos e está catando moedas debaixo de uma taverna, pois precisa ter o suficiente para pagar uma espécie de pedágio ao Punho (basicamente o valentão e carrasco) da Guilda da qual faz parte. As Guildas não passam de gangues ambulantes que assaltam, furtam e matam Tocas adentro, disputando entre si o controle de determinadas porções dessa parte da cidade de Cenária.

Azoth pertence à Guilda do Dragão Negro, que está sujeita à crueldade de Rato, o Punho. Consigo ele tem apenas Jarl e a Menina-Boneca, crianças de rua que sobrevivem com ele à miséria que impera nas ruas. Como a Menina-Boneca tem apenas oito anos de idade, Jarl e Azoth se sentem responsáveis por poupá-la dos infortúnios da vida. Isso não significa que Azoth seja valente – ele até é corajoso, mas não passa de uma criança. Teme as ruas, teme os valentões, teme a patrulha da cidade, teme Rato e seus asseclas.

“Azoth tentou falar, mas sua garganta estava tão contraída que ele só conseguiu ganir. Rato riu de novo e todos o acompanharam, alguns apreciando a humilhação, outros apenas com a intenção de deixa-lo de bom humor. Ódio percorria o corpo de Azoth. Odiava Rato, odiava a guilda, odiava a si mesmo.”



É por isso que quando tem um vislumbre de Durzo Blint, naquela mesma ocasião em que catava moedas sob a taverna, se sente são esperançoso. É por isso que certo dia, quando Durzo acaba se deparando com uma amardilha da Dragão Negro e ri na cara de Rato, Azoth tem a certeza de que quer ser aquele homem: tão forte e corajoso a ponto de debochar daquilo que faz ele, o próprio Azoth, tremer de pavor. O garoto ainda leva um tempo para enfim começar a trilhar o seu destino com Mestre Blint, e precisa de um empurrão de Rato para tanto – algo envolvendo atrocidades inomináveis que o Punho comete com os únicos amigos que Azoth tem. E, ainda que pequeno, após insistências e testes, o garoto consegue se tornar aprendiz do melhor derramador de todos os tempos.

“(...) Essa não é a vida que você deseja ter. (...) Se vir comigo, terá que abrir mão de todo o resto. Quando começar a fazer o que faço, nunca mais será o mesmo. Vai ficar só. Vai ser diferente. Sempre. E isso não é o pior. Não quero amedrontá-lo. Bem, talvez queira. Mas não estou exagerando. O pior, garoto, é o seguinte: os relacionamentos são uma corda. O amor é uma forca. Se você vier comigo, terá que desistir do amor. Sabe o que isso significa?”

Azoth leva uma vida dupla e ao mesmo tempo torna-se Kylar Stern, um suposto baronete falido e acolhido na casa de Conde Drake. Se por um lado ele cresce sendo educado como um nobre, à noite une-se às trevas em seu treinamento para se tornar um derramador. Durante as tardes, aprende a ler com Mama K, a mais famosa ex-cortesã (e Senhora dos Prazeres) que tem sob seu poder todos os prostíbulos de Cenária. Após dez anos sob o treino árduo de Durzo Blint, Kylar Stern é Azoth, e Azoth é Kylar Stern. Ainda um nobre assassino, pois aparentemente sem Talento, Kylar não pode se considerar derramador. Seus conhecimentos sobre venenos, armas brancas e luta corporal extrapolam as expectativas de Durzo Blint, mas ainda assim Kylar se mostra uma decepção. Sua única salvação é vincular-se a um ka’kari e despertar o Talento que tem e si. Só tem um porém: o ka’kari também está nos planos do Deus-Rei que governa a nação de Khalidor e Garoth Ursuul, o Deus-Rei no momento em que se passa o livro, fará de tudo para obtê-lo.

“Dois significados diferentes. O seu nome é assim: significa ao mesmo tempo aquele que mata e aquele que é morto.”

Kylar Stern by Sykugen
KYLAR STERN [Créditos]. 



Esse foi o primeiro livro do Brent Weeks e que estreia, gente! Adorei a narrativa e o quanto me senti imersa na história. Lembrou-me bastante a sensação que tive com O Nome do Vento: sofri com Kvothe tanto quanto sofri com Azoth. O sofrimento de ambos não é derivado algo que aconteceu consigo, mas de ver a crueldade e a dor acometer aqueles a quem amam. Isso é devastador e Weeks conseguiu passar o sentimento com sua escrita, incluindo a agonia de Azoth/Kylar quando se viu diante da difícil decisão de escolher entre as duas pessoas que mais lhe são importantes.
Os personagens conseguem nos cativar com facilidade. A trama é interessante e o autor soube muito bem terminar os capítulos em momentos de clímax. Largar o livro para dormir ou voltar ao mundo real eram momentos sofríveis para mim, pois eu queria saber o que havia acontecido, eu queria saber o final da história...
A editora deixou passar alguns erros de revisão, mas nada que atrapalhe a leitura. Foram tão poucos que mal recordo deles. A diagramação está confortável, talvez a única coisa que não me agradou na obra tenha sido a capa – a achei um pouco sem sal e não compraria se a visse. Mas que bom que escolhi receber da parceria da editora, porque definitivamente foi uma obra que entrou para as minhas favoritas.

“Kylar não diminuiu a velocidade. Parecia um tufão. Ele era a primeira face dos Anjos da Noite. Ele era a vingança. Matar já não era uma atividade, era uma condição do ser. Se cada gota de sangue culpado derramada por ele compensassem uma gota de sangue inocente, naquela noite ele talvez conseguisse ficar limpo.”




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