#RelendoKvothe || Releitura de O Nome do Vento – Parte 6

Postado por - terça-feira, junho 06, 2017

Soa repetitivo pedir desculpas pelo atraso na postagem? Sim, soa. E eu não farei mais isso, combinado? O que importa é que as postagens estão saindo, e que a maioria está lendo dentro do que foi programado (enquanto há outros lendo no próprio ritmo, o que também está tudo bem). Agradeço a compreensão de cada leitor lindo que não me pressiona, e peço um pouquinho de paciência para quem está pressionando e aparentemente não sabe que a vida real tem situações que acabam fazendo a gente dar mais importância a algumas coisas do que a outras. Segue o jogo, né?
Estamos no capítulo 60 de O Nome do Vento. Em outras palavras, já passamos mais da metade! Foram 398 páginas lidas. Isso é muita coisa, mas convenhamos: a gente é capaz de ler em muito menos tempo do que em seis semanas, certo? Mas tudo bem. Porque assim está bom demais e nunca amei tanto conseguir fazer várias leituras como consegui nos últimos tempos.
Enfim, vamos à análise?


Capítulo 51 – Piche e zinco

(...) eu era brilhante. E não era só aquele brilhantismo corriqueiro que se vê por aí. Eu era extraordinariamente brilhante. Por último, tive sorte. Pura e simples. 

O trecho acima foi colocado para evidenciar que, quando se trata de exaltar a si próprio, Kvothe não tem meias-palavras. No novo capítulo, afirma já ter iniciado suas aulas com Kilvin na Ficiaria, e que diferente de todas as outras pessoas, precisou de apenas uma semana como aprendiz de Cammar para ser aprovado como estudante oficial da disciplina e ficar sob a orientação de Manet. Creditou isso ao seu intelecto brilhante, como sempre, mas também teve um momentinho de humildade e reconheceu que teve sorte. Sorte essa vinculada diretamente ao personagem mais amorzinho que existe na saga: Auri! Bem, Auri ainda não apareceu, mas sabemos que é ela, certo?
Aliás, você lembra daquele pátio isolado no Magno que Kvothe menciona durante seu primeiro dia de aula na Universidade? Tornou-se seu esconderijo secreto, onde costuma tocar alaúde longe de tudo e de todos daquele lado do Rio Omethi – afinal, conforme já explicara quando precisou ir a Imre, havia uma rixa entre Imre e a cidade da Universidade, representada por uma “treta” secular entre música x magia. Os estudantes, professores e simpatizantes desprezavam a arte da música, enquanto o povo de Imre desprezava as simpatias, nomeações e afins. Por isso, ser visto tocando alaúde na Universidade ou mesmo no seu dormitório não seria uma boa ideia nem a melhor forma de conquistar amizades, né?
Então, Kvothe está ali, naquele pátio isolado tocando umas notas, quando ouve um barulho de “algo metálico caindo no chão”. Ele investiga, e descobre que se levantar e largar uma tampa de bueiro grande e imponente que tem por ali, o mesmo ruído é produzido. Além disso, há uma maçã perto desse bueiro – sendo que a macieira é do outro lado do pátio, distante demais para que a fruta tenha caído e rolado até aquele lugar. Logo ele suspeita: alguém esteve aqui. E a gente já sabe quem foi.
Quanto à sorte, é porque Kvothe ainda estava sendo aprendiz de Cammar e precisava decorar algumas runas para passar no teste final e se tornar estudante de Siglística. Quando ergue a tampa do bueiro, há duas runas ali, que fazem sua mente estalar e ele consegue, enfim, encaixar essas mesmas duas runas na cantiga que compôs para facilitar a decoração da matéria. Assim, Kvothe não tem problemas em responder as perguntas de Cammar e bingo!, eis o novo estudante da Ficiaria na praça.
Não é um capítulo muito empolgante em termos de teorias, mas marca o aparecimento de alguém com demasiada importância no universo de Kvothe.


Capítulo 52 – Queimando

A música é uma amante orgulhosa e temperamental. Recebendo o tempo e a atenção que merece, ela é sua. Desdenhada, chega o dia em que você a chama e ela não responde. Por isso comecei a dormir menos, para lhe dar o tempo de que ela precisa. 

Queimando foi um capítulo um tantinho tenso. Eu praticamente pude sentir o cansaço e desespero resignado de Kvothe em fazer tanta coisa ao mesmo tempo. Além das atividades de praxe da Universidade e do aprendizado na Artificiaria, ainda havia os exercícios com o alaúde, que só podiam ser praticados mediante o sacrifício de algumas horas de sono. Isso tudo deixou Kvothe à beira de um ataque de nervos e talvez da loucura total. Acredito que ele tenha chegado bem perto de ganhar mais um “título”: o E’lir que levou menos tempo para ser internado no Aluadouro.
Porém, graças à intervenção dos amigos fantásticos que são Wil e Sim, Kvothe ganhou um tempinho para si ao ser dispensado da Ficiaria por Kilvin. Isso o chateou no começo, mas convenhamos: fazer tanta coisa ao mesmo tempo é demais até mesmo para alguém com a fama de Kvothe. Ele é humano, apesar das histórias que alimentou que dizem o contrário, e logo sucumbiria.
A cena mais interessante desse capítulo foi a disputa entre Kvothe e Fenton na aula de Simpatia Avançada com Elxa Dal. Como um modo de treinar suas habilidades e – por que não? – aprender a lutar, os alunos eram dispostos em duplas para travar duelos envolvendo a Simpatia. Neste dia específico, Kvothe, o único da turma a não ser derrotado, foi colocado contra o segundo melhor da classe. Mais uma vez seu orgulho dominou e o ruivo quase perde tudo. Sim, ele venceu, porém não por ter sido mais inteligente, e sim por seu adversário ter sido mais burro e quase ter se matado após extrair energia do próprio sangue. Lembra de quando Kvothe, ainda com Abenthy, fez aquela loucura de quase ter de respirar todo o ar do mundo? Pois é. Fenton fez algo nesse sentido, e tão perigoso quanto.
Acho que esse foi um vislumbre muito bacana envolvendo as possibilidades da Simpatia Avançada. Como o próprio Kvothe fala, Elxa Dal não estava ali meramente dando aulas, mas ensinando todos a lutarem. Nunca se sabe quando, no futuro, você poderá acabando tendo de enfrentar um colega de classe, além de ser um modo legal de treinar o uso aplicado da simpatia em si. Quem não garante que talvez no livro 3 não seremos surpreendidos por um duelo de vida e morte entre Kvothe e algum especialista no assunto? A propósito, seguindo essa linha de raciocínio, será que podemos usar as palavras de Sovoy como presságio? Seria interessante ver esse embate entre mestre e aprendiz.

― Tenho uma coisinha planejada. Não aposte enquanto não tivermos estabelecido os termos. Você precisa conseguir pelo menos três para um contra mim.
― Contra você? ― murmurou Sovoy, enquanto recolhia uma braçada de parafernália. ― Só se você estiver disputando com o Dal.  
Bom, pelo menos o ruivo ganhou alguns trocados para compensar a tragédia que quase ocorreu na sala de Elxa Dal...
No final do capítulo, Kvothe pergunta a Sim e Wil sobre a Eólica, e aqui podemos dizer que está prestes a se iniciar uma nova fase na vida de Kvothe. Poderia ser uma virada, claro – porém, por mais que as coisas no geral melhorem para o garoto, a gente sabe que seu coração fica meio que oscilando entre o júbilo e a tristeza absoluta. O motivo? Sim, você acertou. A “maravilhosa” Denna. Então não sei se dizer que as coisas estão melhorando é a escolha certa de palavras.

Kvothe fazendo simpatia. Arte de Isabella de Ocampo.


Capítulo 53 – Círculos lentos

No começo do capítulo, Kvothe faz uma breve apresentação da Eólica e de como as coisas funcionam por lá, inclusive falando sobre a cobiçada gaita-de-tubos de prata, e a gente logo compreende o quanto ter uma seria importante para o garoto: lhe garantiria a oportunidade de tocar em todos os bares e tabernas próximos a Imre e à Universidade, além da possibilidade de conseguir dinheiro fazendo algo que realmente ama. Música e moedas: duas coisas de vital importância para Kvothe à essa altura do campeonato.

Mas alguns músicos sérios também pagavam. Quando seu desempenho impressionava suficientemente o público e os proprietários da casa, eles recebiam uma lembrança: uma miniatura de gaita-de-tubos, feita em prata, que podia ser montada num broche ou num colar. A gaita-de-tubos concedida pelo talento era reconhecida como uma clara marca de distinção na maioria das grandes hospedarias num raio de 300 quilômetros ao redor de Imre. Quem a possuísse podia entrar de graça na Eólica e tocar quando lhe desse vontade.

Após introduzir a Eólica, Kvothe retoma o discurso sobre a mulher fascinante que aguarda nos bastidores, etc. E está se referindo a Denna, como o próprio confirma. Já era de se esperar, portanto, que o capítulo seria dedicado a essa paixão platônica e viciante de Kvothe, mas não. Neste capítulo temos Auri.
Uma coisa legal de se notar é o quanto Kvothe fica diferente quando está com Auri. A arrogância, o orgulho, a necessidade de se mostrar melhor e mais abastado do que é simplesmente evaporam. Ele está ali, sem máscaras e fantasias, apenas sendo quem sempre foi, dedilhando seu alaúde. Não precisa fingir ser quem não é. Acho que tem toda uma poesia por trás disso.
Auri, aliás, não é o nome da pequena “fadinha da lua” que vive no Subterrâneo da Universidade. Por mais que a conheçamos assim, em momento algum Auri revela como se chama, e esse nome é escolhido por Kvothe para ter como chamá-la. O fato de ela esconder quem realmente é abre um leque de possibilidades em termos de teorias. É simplesmente muita coisa para a gente imaginar. Uma delas é nos perguntarmos o motivo para que escolha não revelar o próprio nome: tem algo a ver com o medo de ser controlada ou é algo mais profundo?
Enfim. É necessário observar que há uma forte relação com a Lua nesse capítulo. Não é nada difícil imaginar, portanto, que Auri tenha uma conexão com ela. Por exemplo, quando Kvothe chega no pátio isolado do Magno e convida Auri a subir e se juntar a ele no telhado, usa o argumento de que “hoje não tem muita lua” para que ela aceite e suba, como se com isso quisesse dizer que está tudo bem/seguro. Você poderia dizer que isso é apenas a Auri sendo Auri (ou seja, louca), mas eu tenho certeza que não é bem assim. Os significados implícitos nessa pequena frase podem ser muitos.
Em segundo lugar, temos o “presente” que Auri dá a Kvothe: uma chave.


― O que trouxe para mim? ― perguntou, empolgada.
Sorri.
― O que você trouxe para mim? ― provoquei-a delicadamente.
Ela sorriu e estendeu a mão. Alguma coisa reluziu ao luar.
― Uma chave ― disse, orgulhosa, empurrando-a para mim.
Aceitei-a. Tinha um peso agradável na minha mão.
― É muito bonita. O que ela abre?
― A Lua ― respondeu Auri com uma expressão grave.
― Isso deve ser útil ― comentei, examinando-a.
― Foi o que achei. Assim, se houver uma porta na Lua, você poderá abri-la ― disse, sentando-se de pernas cruzadas no telhado e me dando um sorriso. ― Não que eu encoraje esse tipo de conduta imprudente. 


Vamos por partes. O que a chave poderia abrir? Será que de fato abriria a Lua? Ou Auri, ao falar que abriria a Lua, poderia estar se referindo a libertá-la? Em inglês, Kvothe pergunta “What does it unlock?”, o que tranquilamente comportaria a interpretação que mencionei. Será que é a chave que abre a caixa em que Jax prendeu o pedaço da Lua? Ou talvez seja a chave que abra as portas de pedra no Acervo...?
Agora vamos seguir, ainda analisando esse pequeno diálogo. “Não que eu encoraje esse tipo de conduta imprudente”? O que você quis dizer com isso, Auri? Será que falou por falar ou por já ter vivenciado a conduta imprudente de quem tenta abrir a porta da Lua? Auri é uma fae? Ela pode ser a Lua e uma fae ao mesmo tempo, você sabe. Nada impede isso.


Capítulo 54 – Um lugar para incendiar

Kvothe, na companhia de Sim e Wil, decide arriscar a chance de conquistar uma gaita-de-tubos de prata na Eólica. Sabendo que tem tudo a perder se não conseguir, o ruivo é consciente de que tem de se dedicar em dobro comparado aos demais que estão ali. Se quiser continuar estudando da Universidade e quitar sua dívida com Devi, não há alternativa: ou ganha ou não ganha. Por esse motivo, a canção que escolhe para executar diante do público é uma das mais difíceis no meio, que até mesmo seu pai, com tantos anos de experiência, executara apenas algumas vezes na vida: o lai de Sir Savien Trailard.
A música, além de difícil de executar no alaúde, exige a presença de um casal para cantá-la. E ainda que Stanchion, um dos donos da Eólica, tenha achado que Wil ou Sim poderiam ser os sopranos a acompanhar Kvothe, a realidade é que Kvothe não tem um par para a canção. Contará com a sorte de ter alguém do sexo feminino ali na plateia que conheça o lai de Sir Savien, e que possa juntar sua voz à melodia no momento certo.
Enfim. Kvothe executa a canção, e apesar de uma corda do alaúde ter se arrebentado perto do final e o ruivo ter sido obrigado a reviver seus anos na floresta, quando tocava com apenas seis cordas e inventava canções sobre a natureza ao redor, tudo corre bem. O capítulo 54 não é lá grande coisa em termos de teorias, mas tem uma das passagens mais lindas do livro, em minha opinião.

Kvothe na Eólica. Arte de skadivore.

Não foi perfeito. Nenhuma canção com a complexidade de Sir Savien pode ser tocada em seis cordas, em vez de sete. Mas ela se completou e, enquanto eu tocava, a plateia suspirou, remexeuse e, pouco a pouco, tornou a mergulhar no feitiço que eu havia tecido para ela.
Eu mal sabia onde estava o público e, passado um minuto, esqueci-o por completo. Minhas mãos dançaram, depois correram, depois se confundiram com as cordas, à medida que eu lutava para manter as duas vozes do alaúde cantando com a minha. E então, mesmo ao olhá-las, esquecias, esqueci tudo, menos de concluir a canção.
Veio o refrão e Aloine tornou a cantar. Para mim, ela não era uma pessoa, não era sequer uma voz, era apenas parte da canção que se inflamava em mim.
E então terminou. Erguer a cabeça e contemplar o salão foi como romper a superfície da água em busca de ar. Voltei a mim e deparei com minha mão sangrando e meu corpo coberto de suor. Depois o término da canção me atingiu como um murro no peito, como sempre acontecia, onde e quando quer que eu a ouvisse.
Enterrei o rosto nas mãos e chorei. Não por uma corda de alaúde arrebentada e pela probabilidade do fracasso. Não pelo sangue derramado e a mão ferida. Não chorei nem mesmo pelo menino que aprendera a tocar um alaúde de seis cordas na floresta anos antes. Chorei por Sir Savien e Aloine, pelo amor perdido, reencontrado e outra vez perdido, pelo destino cruel e pela insensatez humana. E assim, por algum tempo, perdi-me no luto e não soube de nada. 

Outra coisa interessante a notar é ver a humildade que assume Kvothe enquanto ele toca. Então temos dois momentos em que o garoto parece não ser da forma que age o livro inteiro: quando está com Auri e quando toca o alaúde. Kvothe não é mais o famoso Kvothe, e sim aquele que apenas nós, leitores, conhecemos – assim como Bast e o Cronista. De repente, até faz sentido imaginar como Bast pode gostar tanto do mestre, se conhece esse seu lado mais verdadeiro e menos orgulhoso.




Ah, não vamos esquecer do começo do capítulo, quando Kvothe descreve os arredores da Eólica, incluindo a calçada de pedra da praça e a fonte próxima à entrada do local – descrição que bate com aquele lugar que tornou-se famoso por Kvothe ter matado alguém ali, quebrando as pedras de tal forma que elas jamais foram consertadas... Apenas a título de curiosidade mesmo.


Capítulo 55 – Chama e trovão

Isso lembra bastante um capítulo de O Temor do Sábio, não? Mas não tem nada a ver com ele. O capítulo, extremamente curto, se dedica a Kvothe descrever a reação da plateia à sua apresentação.

Depois, a espera. Ouvi o silêncio brotar deles. O público se manteve calado, tenso, rígido, como se a canção o tivesse queimado mais do que uma chama. Cada um estreitava seu eu ferido, agarrando-se à dor como se fosse algo de precioso. 
Em seguida, um murmúrio de soluços liberados, escapando... Um suspiro lacrimoso... Um sussurro de corpos deixando lentamente a imobilidade... E então o aplauso. Um rugido como o lamber de chamas, como o trovão que acompanha o raio. 

Capítulo 56 – Mecenas, mocinhas e metheglin

Este capítulo em inglês chama-se “patrons, maids and metheglin”. Em outras palavras, a tradução ficou um pouquinho equivocada, embora isso não interfira muito na história, mas possa confundir. Por exemplo, aqui é o momento seguinte após Kvothe ter conquistado a gaita de prata da Eólica. Muitas pessoas cercam-no para elogiá-lo, e uma delas é o conde Threipe, que dá sete talentos para “incentivar” Kvothe a continuar tocando e se aperfeiçoando. Lendo o título do capítulo, você talvez entenda que Threipe se tornou mecenas de Kvothe. Sabemos o papel importante que um mecenas tem nesse cenário do livro, mas não, o ruivo ainda não ganhou um mecenas. Na verdade, o correto na tradução deveria ser “patronos” – e aí faria sentido, pois no mesmo capítulo houve um pequeno diálogo em que Stanchion apontou que Wil e Sim seriam os patronos de Kvothe.
― Stanchion, pode nos ajudar a chegar ao bar? Prometi comprar uma bebida para eles.
― Bebidas ― corrigiu Wilem. ― No plural.
― Desculpe, bebidas ― repeti, frisando o plural. ― Eu não estaria aqui se não fossem eles.
― Ah! ― disse Stanchion, com um sorriso. ― Patronos! Compreendo perfeitamente! 

O resto do capítulo 56 trata-se de Kvothe recebendo adulações e elogios, conversando com algumas moças e, enfim, decidindo procurar por sua Aloine. No final, ele a encontra – mas não diz muita coisa além de afirmar o quanto é linda. 
Curiosidade sobre esse capítulo: Wil e Sim comentam que Ambrose, que assistiu à apresentação de Kvothe, saiu carregado da Eólica logo após Kvothe finalizar a canção. Parecia exaurido, completamente derrotado, como alguém que acaba de usar simpatia e utiliza o próprio sangue para fazer uma conexão. Sim, como Fenton. Kvothe logo compreende isso e associa à corda quebrada do seu alaúde, a mesma corda que simplesmente não podia ter quebrado. Ambrose, então, tentou arruiná-lo – e aposto que odeia o fato de que na verdade pode ter contribuído para que Kvothe se saísse bem sucedido em seu desafio de conquistar a gaita.


Capítulo 57 – Interlúdio: As partes que nos formam

Este interlúdio são apenas algumas páginas para Kvothe fazer uma das coisas que mais sabe fazer: endeusar Denna. Bast, porém, está ali, e ele já a viu. Logo quebra o encanto do mestre: calma aí, ela não era tão perfeita. E aquele narizinho torto, hein? Mas... Ainda assim, Bast reconhece o encanto que parece cercar Denna. Kvothe e Bast descrevem-na com um encanto tão irremediável que às vezes me pergunto se Denna não seria uma fae – não apenas encantadora, mas de fato encantada. Seria possível?

― Seu sorriso era capaz de fazer o coração de um homem parar. Os lábios eram vermelhos. Não daquele vermelho pintado vulgar que muitas mulheres acreditam torná-las desejáveis. Seus lábios estavam sempre vermelhos, da manhã à noite. Como se, minutos antes de a vermos, ela tivesse comido amoras doces ou bebido sangue do coração. Onde quer que estivesse, ela era o centro de tudo ― prosseguiu Kvothe, franzindo o cenho. ― Não me entenda mal. Não era espalhafatosa nem fútil. Olhamos para o fogo porque ele lampeja, porque brilha. É a luz que capta nosso olhar, mas o que faz o homem ficar perto do fogo nada tem a ver com sua forma luminosa. O que nos atrai para o fogo é o calor que sentimos ao chegar perto dele. O mesmo se aplicava a ela.


Capítulo 58 – Nomes para um começo

Aqui, Kvothe finalmente encontra Denna. O capítulo foi um pouco mais longo que os demais, mas apenas porque Kvothe precisou de muitas palavras para descrevê-la. Confesso que lendo assim, fingindo ser a primeira vez, até que o romance entre os dois é bonitinho. O problema é o que ele se torna, e o quanto Kvothe escolhe se tornar dependente de Denna e seus caprichos. Sério, começo a acreditar mais na possibilidade de ela ser uma fae.
Enfim, o capítulo é apenas os dois flertando e se conhecendo de novo, com Kvothe assumindo que Denna não recorda mais que um dia eles já foram próximos, mesmo que por pouco tempo. Denna, aliás, se apresenta como Dianne, e Kvothe logo descobre que ela é acompanhante de Sovoy. Ambos flertam bastante até mesmo na frente do rapaz, que fica um pouco desconsertado por ter sido esquecido pelos dois. Mas o capítulo é só isso mesmo.

Sovoy, Denna e Kvothe por Izzu-shi (vocês não têm noção do quanto ri da expressão de Kvothe nessa arte).


Capítulo 59 – Todo esse saber

Mais um capítulo extremamente curto, mas belo. Mostra a alegria intensa que foi aquela noite, especialmente para os três amigos.
Os três meninos, um moreno, um louro e um ― na falta de outra palavra melhor ― flamejante, não notaram a noite. Talvez parte deles a tenha notado, mas os três eram jovens e estavam bêbados, ocupados demais em saber, no fundo do coração, que jamais envelheceriam ou morreriam. Sabiam também que eram amigos e que compartilhavam um amor certeiro que nunca os deixaria. Sabiam muitas outras coisas, mas nenhuma parecia tão importante quanto essa. Talvez tivessem razão.


Capítulo 60 – Sorte

Não há melhor título para dar a este momento da vida de Kvothe do que “sorte” – embora, na realidade, devamos assumir que as coisas melhoraram para ele por conta do próprio esforço. Porque sim, foi isso: Kvothe, tão acostumado a viver desesperado e sem perspectiva, agora possuía dinheiro suficiente para pagar sua taxa de admissão de seis talentos na Universidade, bem como quitar pelo menos os juros de sua dívida com Devi. Threipe se propôs a ajudá-lo a encontrar um mecenas, Kilvin o admitiu de volta como aprendiz na Artificiaria e após conversar com o dono de uma hospedaria, a Quadriga, Kvothe conseguiu trocar uma suíte, refeições diárias e dois talentos por mês por três dias na semana de apresentação com o alaúde. Em outras palavras, o vento parecia estar soprando a seu favor.
Das coisas interessantes desse capítulo, aquela que mais me deixou intrigada foi relembrar que Devi um dia estudou na Universidade. Por que foi expulsa? É algo que a gente talvez descubra no próximo livro.


Ah, trecho interessante a se destacar é a descrição sucinta que Deoch faz sobre Denna/Dianne:

(...) Ela viaja, vive aparecendo e sumindo de novo ― explicou. Coçou a parte de trás da cabeça e me deu um sorriso apreensivo. ― Não sei onde você conseguiria encontrá-la. Cuidado, menino, aquela é capaz de roubar seu coração. Os homens ficam caídos por ela feito o trigo sob o gume da foice.


Esses dez capítulos foram interessantes em muitos aspectos, e talvez alguns possam entrar no top 10 de O Nome do Vento. Auri foi uma presença maravilhosa, mas sou muito suspeita para falar, pois eu simplesmente a amo. A amizade entre Wil, Sim e Kvothe foi bastante evidenciada nesses capítulos, e cada vez mais eu penso que Kvothe tem sorte por ter esses dois ao lado... Mas enfim, e você? O que achou?
A melhor amizade que você respeita.


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